Pobreza na América Latina: a síndrome do “sim, mas”

Sim, a classe média aumentou na América Latina, mas números ainda revelam a existência de um grupo grande demais de cidadãos que vivem em situação de pobreza extrema

A expressão “sim, mas” sintetiza a história econômica recente da América Latina. A boa notícia é muito boa. A pobreza extrema é definida na América Latina como o acesso a menos de US$ 2,50 por dia (em termos de paridade de poder de compra) para o sustento próprio. A parcela da população da região nesse grupo caiu de 26,3% em 1995 para 13,3% em 2011. A classe média, que o Banco Mundial define como pessoas que vivem com US$ 10 a US$ 50 por dia, com base na hipótese de que esse nível de renda reduz as chances de voltar para a pobreza em um período de cinco anos para 10%, está crescendo rapidamente.2011 foi o primeiro ano da história em que mais pessoas na América Latina foram classificadas como classe média do que pobres (aqueles que vivem com US$ 4 por dia ou menos). Em um grupo de países que inclui Brasil, Argentina, Chile e Uruguai, esse segmento de classe média representa hoje a maior parcela da população. Isso representa um progresso extraordinário.

Eis que aparece o “mas”. Esses números ainda revelam a existência de um grupo grande demais de cidadãos que vivem em situação de pobreza extrema, sendo que a metade deles se encontra no Brasil e no México. Cerca de 26% das pessoas da região não tinham acesso a saneamento básico em 2011. E o maior grupo da região é aquele classificado como “vulnerável”, isto é, aqueles que sobrevivem com US$ 4 a US$ 10 por dia e correm o risco de voltar para a pobreza. A desigualdade de renda, embora tenha melhorado, continua em alta: o Banco Mundial constatou que todos os países da América Latina são mais desiguais que a Turquia, o país mais desigual da OECD de fora da região. Os pesquisadores creem que, a continuarem as tendências atuais, levará até 2052 para que o latino-americano médio tenha os mesmos padrões de vida que os habitantes do mundo rico gozavam em 2000.

Fonte: Opinião & Notícia/ The Economist

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