Pontos obscuros sobre o plano

Não foi desta vez que o mercado operou mais otimista refletindo um maior esclarecimento sobre o pacote de Timothy Geithner no Congresso, com medidas para sanear o sistema bancário. Mais uma vez, sua linha de argumentação não foi convincente e muitos pontos obscuros continuam a confundir e deixar estes mercados céticos.

Na verdade, este pacote Geithner não resolve o principal problema do sistema bancário neste momento, qual seja: a avaliação correta dos ativos tóxicos, aqueles recheados de subprimes, crédito duvidoso do setor imobiliário, que acabaram como estopim da crise atual. Os investidores se recusam a injetar recursos pois não sabem a real dimensão destes ativos tóxicos sobre os balanços dos bancos, e estes não possuem “musculatura” para emprestar, pois estão descapitalizados.

Com isto, acabamos por resgatar a situação de impasse vivida por Henry Paulson, quando da tentativa, também, de uma solução para estes ativos tóxicos, logo rejeitada pelo clima de campanha eleitoral no período. Neste pacote Paulson, foram injetados no sistema bancário, cerca de US$ 350 bilhões, do total de US$ 700 bilhões, mas estes acabaram mal utilizados, não restabelecendo o crédito na economia norte-americana.

No pacote Geithner, uma boa tentativa veio da mobilização de US$ 1 trilhão para emprestar às empresas e aos consumidores. O problema é que sem os bancos recapitalizados, esta medida também acaba complicada. Não tem jeito, antes de pensar em medidas fiscais, como aquelas aprovadas no Senado, será essencial o saneamento do sistema bancário.

É isto que importa e não existe sistema capitalista que seja capaz de viver sem um sistema bancário recuperado e com a confiança restabelecida. Os bancos são os  intermediários no restabelecimento do fluxo monetário da economia. São eles que irrigam o sistema econômico e sem eles não há crédito, não há produção, não há consumo, nem emprego, embora a candidata Dilma Roussef tenha dito que a esta “crise foi causada por um setor que não produz nem alfinete”. O problema é que sem este setor, não há o crédito nem para financiar a produção de alfinetes.

Ao fim do dia, o mercado deu uma reagida ao saber que o Senado e o Congresso norte-americanos já haviam “aparado as arestas” para a aprovação do pacote de US$ 838 bilhões. Menos mal.

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