Sábado, 10 de dezembro de 2016
Mantenedores mantenedores

“Precisamos criar mecanismos que evitem ingerência política na gestão técnica”, afirma Sebastião Ventura

Na contramão do caminho para estabelecer critérios de eficiência na formação dos quadros públicos, o ministro da Transparência, Torquato Jardim, anunciou, no dia 5 de agosto, a revogação da portaria que exigia experiência na carreira de finanças e controle para os candidatos a chefia de unidades da Controladoria Regional da União nos estados e do coordenador-geral da Secretaria Federal de Controle Interno.

Ao abrir espaço para indicações políticas, a medida pode comprometer a qualidade do serviço público, como explica o advogado e especialista do Instituto Millenium, Sebastião Ventura da Paixão. “É difícil dizer se haverá ou não comprometimento da moralidade pública, mas isso pode, sim, prejudicar a eficiência administrativa e a busca da construção de um sistema gestão pública pautado pela meritocracia”.

Segundo o advogado, especializado em direito do estado, a experiência de vida está intimamente ligada à capacidade de exercer funções públicas de maior envergadura.

Sebastião Ventura acredita que o estado deveria investir na criação de ferramentas que evitem a ingerência política na gestão técnica ao invés de incentivá-la.

Na mesma linha de pensamento de Sebastião Ventura está o cientista político e especialista do Instituto Millenium, Nuno Coimbra Mesquita. “O aperfeiçoamento do sistema deve se dar diminuindo as instâncias de influência do poder político, e não ao contrário, como indicado por esta nova medida”, propõe.

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