Ação de União e Estado pretende barrar armas e drogas também em portos e aeroportos;
centro de comando deve ficar só para a Copa

Os governos estadual e federal já começam na próxima segunda-feira, 19, a realizar operações conjuntas nas estradas paulistas para tentar coibir o contrabando e a entrada de drogas e armas em São Paulo. O anúncio foi feito ontem no Palácio dos Bandeirantes, durante assinatura do termo de cooperação com vigência até 31 de dezembro de 2014.

Mas outra medida importante – a criação de um centro de operação e comando para que policiais estaduais e federais possam trabalhar em um mesmo espaço e compartilhar informações – só deve ficar pronta em 2014, antes da Copa.

Participaram da cerimônia de assinatura o governador Geraldo Alckmin (PSDB), o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, integrantes das cúpulas da Segurança Pública do Estado e da União, do Tribunal de Justiça e da Procuradoria-Geral. “(Vamos fazer) ações de contenção nos pontos nevrálgicos. Haverá reuniões de trabalho hoje e, se tudo correr bem, começaremos logo após o feriado”, disse Cardozo.

A reunião durou 40 minutos. Como já havia sido definido na semana passada, o plano de contenção das polícias de São Paulo e federal também atuará em portos e aeroportos. Ainda foram definidos alguns detalhes sobre as outras cinco medidas da parceria entre Estado e União.

No rápido encontro entre autoridades, não foi explicado como entidades financeiras, policiais estaduais e federais e Justiça vão atuar no compartilhamento de informações da agência de inteligência, cuja criação foi formalizada ontem. Ficou definido que serão produzidos relatórios sobre como agem os criminosos, mas não se detalhou a maneira como as entidades vão asfixiar a finança desses grupos.

Segundo pessoas que participaram da reunião, o superintendente da Polícia Federal em São Paulo, Roberto Troncon Filho, disse que o compartilhamento de informações já ocorre de forma constante atualmente.

Como revelou ontem o Estado, documentos do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) mostram o envolvimento de cerca de 4 mil pessoas no PCC. O órgão de inteligência financeira do Ministério da Fazenda já tem mais de 60 relatórios sobre a atuação da facção.

Transferências. Desde a semana passada, quando o plano foi anunciado, apenas um preso foi transferido para uma penitenciária federal. Francisco Antonio Cesário da Silva, o Piauí, suspeito de comandar o tráfico de drogas em Paraisópolis, na zona sul, foi enviado na quinta-feira para a Penitenciária Federal de Porto Velho. Ainda na semana passada, outras três lideranças do PCC foram enviadas para o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) de Presidente Bernardes.

O governador afirmou que novas transferências devem acontecer nos próximos dias – os pedidos já estão sendo analisados pela Justiça. Na reunião, também foi prometido que a perícia em São Paulo vai receber tecnologia capaz de identificar a origem das munições usadas em crimes e das drogas que chegam ao Brasil.

O problema do celular usado em prisões, porém, deve continuar sem solução. “Conversamos sobre isso e ainda não há tecnologia disponível”, disse Alckmin.

Fonte: O Estado de São Paulo, 13/11/12

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