Cristiano Costa contesta Mantega: “Os dados de IED não são empolgantes”

Cristiano M. Costa

Por Cristiano Costa

Perguntado sobre a atual cenário econômico, o nosso ministro da Fazenda disse o seguinte (da “Folha”):

Folha – O cenário hoje no mercado é de pessimismo e de falta de credibilidade da política fiscal. A que o sr. atribui isso?
Guido Mantega – O melhor indicador não é conversa mole, mas as atitudes concretas do mercado em relação ao Brasil. Fomos neste primeiro semestre palco do maior IPO [oferta pública inicial de ações] do mundo, do BB Seguridade, de R$ 11,5 bilhões. A Petrobras captou US$ 11 bilhões. O investimento externo direto, até abril, foi de US$ 19 bilhões. São provas de confiança na economia brasileira.

Folha – Mas por que o pessimismo?
Guido Mantega – Temos um evento internacional importante, que vem ocorrendo há 15 dias, desde que o Fed [banco central americano] passou a sinalizar que vai retirar os estímulos que vinha colocando na economia. Hoje, todas as Bolsas estão caindo no mundo. Não é um problema do Brasil, mas generalizado.

Desta vez não vou nem escrever muito. Sim, parece haver uma breve recuperação dos investimentos. Mas, o caso do IED não é tão empolgante. Na verdade, de acordo com o Balanço de Pagamentos (código no SST do BC: 2860) entre janeiro e abril de 2012 o IED foi US$ 20,1 bilhões, acima dos US$ 18,9 bilhões deste ano. Não vejo muita prova de maior confiança. Por esse número diria que a confiança segue a mesma.

No caso das bolsas, é verdade que muitas estão em queda. O Japão por exemplo, está enrolado nas suas próprias políticas. Mas não é verdade que o caso brasileiro tem 15 dias, ele apenas se acentuou nos últimos 15 dias. Vejamos o gráfico do Ibovespa nos últimos 24 meses:

Nos primeiros 3 meses de 2012 a bolsa ia bem. Então, a partir de maio começou a declinar. Ficou um tempo andando de lado, e depois novamente voltou a cair. Justamente no primeiro trimestre de 2012. Ou seja, não é o IED que está causando esse movimento. Também não é a tendência de mudança na política monetária americana, já que a queda e da bolsa nos últimos 12 meses foi acompanhada de um pico histórico da bolsa americana, o que em tempos normais levaria ao crescimento do Ibovespa. Sim, talvez esses últimos 15 dias o movimento do câmbio tenha sido maior. Mas, ele não teria sido este caso a economia estivesse em um outro momento econômico.

Guido, meu caro, tem alguma outra coisa por trás dessa movimentação nos últimos 12 meses. Mas não vou lhe dizer o que é sob a pena de parecer que é conversa mole.

Fonte: Blog do Cristiano Costa

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