Mercado brasileiro é “mal-amado”, afirma banco de investimentos

Com o sugestivo título de “Sob pressão, mal-amado e pouco comprado”, o banco de investimentos americano Morgan Stanley divulgou ontem relatório aos clientes avaliando que investir nas ações de empresas brasileiras segue uma aposta incerta, mesmo após as fortes perdas dos papéis na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) nos últimos meses.

No documento, que recomenda estratégias de investimento na América Latina, os analistas contam que, em recente viagem de duas semanas para a América do Norte, onde visitaram 50 investidores, apenas um deles teria afirmado ter preferência por investir em ações de empresas no Brasil, em relação ao México.

“Quando rebaixamos pela primeira vez o Brasil para underweight (desempenho abaixo da média), em janeiro de 2011, o presidente Lula tinha passado com sucesso o bastão para Dilma Rousseff e a economia tinha batido a marca de 7,5% de crescimento em 2010. Se avançarmos o tempo em 30 meses, a presidente Dilma tem apenas 30% das intenções de voto e o país cresceu apenas 1,9% no primeiro trimestre em comparação ao ano anterior. Claramente, as ações brasileiras estão mal-amadas”, avaliou o banco.

Recomendação neutra
Neste ano, o índice MSCI Brasil — uma referência do desempenho das ações brasileiras muito usada pelos investidores estrangeiros — está em queda de 20%. No mesmo período, o MSCI México apresenta queda de apenas 1%. Num prazo mais longo, iniciado em abril de 2011, o MSCI Brasil cai 39%. O MCSCI México apresenta uma alta de 7%.

Segundo o banco, apesar da queda das ações, a recomendação para investir no Brasil segue apenas “neutra”porque os preços dos papéis no mercado seguem pouco atrativos. O Morgan Stanley prevê o Ibovespa, principal índice da Bolsa, em 50 mil pontos em meados do ano que vem, o que significaria uma alta de 3%.

Segundo o Bank of America Merrill Lynch, a temporada de balanços das empresas brasileiras tem revelado lucros abaixo do esperado por analistas. Foi assim em 59% dos resultados até aqui, o que seria o pior desempenho na América Latina. O banco prevê que o lucro das companhias deve crescer 18%, na média, mas frente a uma “base baixa de comparação”

Fonte: “O Globo”

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