Mitos e verdades do papel das aceleradoras de negócios

Rafael Duton - Sócio da 21212

Para Rafael Duton, sócio da 21212, muitos empreendedores ainda pensam que uma aceleradora serve para ajudar startups com poucas chances de sucesso

A aceleradora 21212, com apenas dois anos de atividade, já é reconhecida como uma das principais do país. O negócio nasceu em um período em que o Brasil assistiu ao surgimento de uma série de instituições com o objetivo semelhante de apressar o desenvolvimento de startups de tecnologia. No entanto, mesmo com o conceito já consolidado, muitos empreendedores ainda não entenderam corretamente os objetivos de uma aceleradora. “Nós funcionamos para impulsionar bons negócios, e não para corrigir e dar mais chances àqueles que não têm oportunidades”, afirma Rafael Duton, sócio da 21212.

As aceleradoras são negócios como os outros: elas precisam de receita. No caso, o dinheiro vêm da participação no faturamento das startups e em eventuais transações de compra ou desinvestimento das empresas aceleradas.

Isso significa que, para uma empresa ser atraente para uma aceleradora, precisa mais do que uma ótima ideia. O negócio tem de dar perspectivas de crescimento e retorno financeiro em um curto período. “Acelerar implica já ter algum avanço feito”, diz Duton. “Buscamos startups que já tenham um produto rodando, clientes e algum faturamento.”

Outra confusão recorrente, de acordo com Duton, é pensar que uma aceleradora como a 21212 tem foco em inovação tecnológica por apoiar startups. O enfoque, segundo ele, está na inovação mercadológica. Criar tecnologias inovadoras é um processo custoso, demorado, e não condiz com a filosofia das aceleradoras de rápida conquista de mercado. “Estamos mais preocupados com os problemas das pessoas do que com as soluções de tecnologia”, diz Duton. “Se um empreendedor usa uma tecnologia existente para acessar mais mercados ou oferecer novos serviços, esse é o cara que queremos.”

Já ter uma operação em funcionamento é um dos quatro critérios utilizados pela 21212 para avaliar os candidatos à aceleração. Outro quesito é a complementaridade do time de fundadores, cujas características devem cobrir todo o escopo de atuação da startup.

Outro aspecto é o mercado de atuação da empresa, que deve ser grande ou em franco crescimento. “As startups têm a função de desafiar o status quo de grandes companhias, mas, para o modelo de aceleração, essa briga por frações de mercado não é sustentável.”

A lista de requisitos é complementada pelo alinhamento com as competências da aceleradora, que não atua em alguns nichos específicos, como saúde ou moda. Esse último ponto, porém, não chega a ser um eliminador – é um resguardo para apostar em áreas nas quais os profissionais da 21212 já acumularam experiência.

Fonte: Revista “Pequenas Empresas & Grandes Negócios”

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