Oposição denuncia corrupção chavista

Áudio de jornalista governista e suposto agente cubano seria prova, diz deputado

Denúncia. O deputado opositor Ismael García revela áudio comprometedor

A oposição venezuelana acusou o presidente da Assembleia Nacional (AN), Diosdado Cabello, de liderar uma rede de corrupção. A denúncia foi fundamentada na gravação de um encontro entre Mario Silva, uma espécie de comandante da tropa de jornalistas ultrachavistas, e um chefe de Inteligência cubano identificado como Aramis Palacios. No áudio, revelado ontem pelo deputado opositor Ismael García, é mencionada ainda uma suposta conspiração de aliados de Cabello contra o presidente Nicolás Maduro, antes da eleição.

Na reunião, os dois homens também discutem as denúncias de fraude na eleição presidencial e admitem que a decisão do governo Maduro de defender cegamente a atuação do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) transformou-se numa ameaça ao próprio Palácio de Miraflores.

– Estamos diante de uma situação de crise muito grave – declarou García.

Pelo Twitter, Henrique Capriles, governador de Miranda e ex-adversário de Maduro nas urnas, afirmou que a gravação revelou fatos importantíssimos de um “governo corrupto e ilegítimo”. Esta semana, o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) deve se pronunciar sobre o pedido de Capriles para impugnar a eleição, sob alegação de fraude, mas tudo indica que a corte não fará qualquer questionamento à votação que levou Maduro ao poder.

Segundo o jornal espanhol “ABC”, Palacios chegou à Venezuela na última etapa do governo Chávez para atuar como chefe de contrainteligência na Casa Militar. Sua área de trabalho também incluiria o Aeroporto Internacional Maiquetía, onde seria encarregado de controlar a entrada e saída de dirigentes chavistas e cubanos.

Já Silva apresenta há anos na TV estatal Venezolana de Televisión o “La Hojilla”, um programa de culto ao chavismo. Ele descreve uma Venezuela caótica, incapaz de encontrar seu rumo sem Hugo Chávez:

“Os ministros não sabem o que fazer (…) O mais provável é que estejam roubando (…) porque acham que tudo vai desmoronar (…) se Maduro fizesse o que deve fazer, o povo seria o primeiro em apoiá-lo”, afirma no áudio.

Segundo Silva, as fissuras dentro do chavismo são reais.

“Dentro do partido e por ordem de Cabello, antes das eleições estavam dizendo que ´Maduro não é Chávez”, afirmou o presidente da AN na gravação. Pouco depois, o jornalista defende a necessidade de informar à presidente do CNE, Tibisay Lucena, as posições do governo.

Para a opositora Mesa de Unidade Democrática (MUD), que entregará o áudio à Justiça local, o documento prova uma disputa entre Cabello e Maduro pelo comando do chavismo, além do envolvimento do presidente da AN em casos de corrupção que incluiriam empresários amigos e organismos de Estado.

O jornalista – que faz um relato ao agente cubano – se refere a negócios de Cabello e indica que o presidente da AN seria um dos mais beneficiados pela desvalorização do bolívar nas últimas semanas de vida de Chávez. O presidente da AN é considerado um dos homens mais ricos da Venezuela e principal representante da nova burguesia bolivariana.

– Quando se fala de desvalorização, o problema é a fuga de divisas em algumas empresas de Diosdado Cabello – comentou Silva.

Os opositores também consideraram importante confirmar a forte ingerência do governo cubano no país. No início do áudio, Palacios diz que gravará a conversa para entregá-la posteriormente ao presidente cubano, Raúl Castro, interessado nas análises políticas e econômicas do jornalista.

Silva critica personalidades do governo Maduro, entre elas o vice-presidente e genro de Chávez, Jorge Arreaza – a quem responsabilizou pelo vazamento de informações sobre a saúde do ex-presidente venezuelano. Ele também ressalta que o ministro da Defesa, Diego Molero, não tem força suficiente para enfrentar o poder de Cabello – um militar reformado – dentro das Forças Armadas.

Fonte: O Globo

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