Reagida nos EUA contamina Brasil

O mercado doméstico deu uma reagida nesta tarde de quinta-feira, em função das boas notícias advindas da economia norte-americana, como os bons resultados de bancos no primeiro bimestre, assim como o desempenho “razoável” das vendas de varejo nos EUA, melhor do que o imaginado pelo mercado. No cenário doméstico, continuou a repercutir a decisão do Copom de cortar o juro em 1,5 ponto percentual a 11,25%, considerada consenso, embora houvesse um crescente entre os agentes que defendiam um corte mais agressivo da taxa de juros.

Nos EUA, em fevereiro as vendas do varejo recuaram 0,1% contra o mês anterior, quando os agentes previam uma queda de 0,5%. Além disto, o indicador de janeiro, depois de seis meses de queda, foi revisado para alta, na proporção de 1,8% contra 1,0%. Isto pode nos levar a acreditar que o quarto trimestre do ano passado foi o “fundo do poço da crise”, já ocorrendo uma lenta reversão nas últimas semanas. Neste quarto trimestre de 2008, o PIB dos EUA recuou 6,2% em termos anuais, afetado por uma queda do consumo das famílias de 4,3%, a mais forte desde 1980. Sem incluir as vendas de automóveis, em queda há vários meses, a venda de varejo avançou 0,7% em fevereiro, depois de uma alta de 1,6% em janeiro.

No Brasil, sobre a decisão do Copom, embora a desaceleração da economia tenha assustado, acabou-se optando pelo “conservadorismo” de um corte de consenso do mercado, de 1,5 ponto percentual, a 11,25%. Corroborou para esta decisão a ausência de pressões inflacionárias, pelo canal do câmbio depreciado e a demanda bem desaquecida, assim como pelo “tombo” da economia brasileira neste quarto trimestre de 2009. O PIB despencou 3,6% contra o trimestre anterior, reflexo de uma forte seca na oferta de crédito, derrubando, em especial, a produção de bens duráveis (indústria automobilística), assim como a reversão dos investimentos produtivos, na sua maioria, adiados ou cancelados diante da fase mais aguda da crise neste período.

A próxima reunião do Copom, em abril (dias 28 e 29), deve ser marcada por um novo corte do juro, talvez em 1 ponto percentual. A inflação, por enquanto, não preocupa, mesmo depois do IPCA de 0,55%, causado por fatores pontuais, como as mensalidades e o material escolar, concentradas nesta época do ano. Resta saber como responderá o ritmo da economia, em contínua desaceleração nos últimos meses, mas esboçando alguma reação pelo lado do setor automobilístico no ajuste de estoques.

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