Liberdade de imprensa: Repórter do “New York Times” é forçado a abandonar China

Chris Buckley trabalhava no país desde 2000, mas as autoridades chinesas não concederam a ele um novo visto de trabalho para 2013 antes do ano começar

Um repórter do jornal americano The New York Times foi forçado a deixar a China dois meses após ter publicado uma reportagem crítica à riqueza da família do primeiro-ministro Wen Jiabao. Chris Buckley, que trabalhava na China como jornalista desde 2000, viajou para Hong Kong na segunda-feira, depois que as autoridades não concederam a ele um visto de trabalho para 2013 antes do ano começar. Este é o último de uma série de casos nos quais, segundo os grupos de imprensa, as autoridades obstruíram o trabalho de jornalistas estrangeiros que, por vezes, se mostraram críticos ao regime de Pequim.

O Times publicou em outubro uma investigação que relatava que parentes do premiê reformista Wen Jiabao acumularam grandes riquezas durante seu mandato. Os sites do jornal em inglês e chinês foram bloqueados na China desde a reportagem, que foi criticada por Pequim como uma tentativa de “manchar” a China e seus líderes. “Lamento que Chris Buckley tenha sido forçado a sair da China, apesar de nossos diversos apelos para renovar seu visto de jornalista”, afirmou Jill Abramson, editor-executivo do Times, em comunicado. “Espero que as autoridades chinesas concedam a ele um novo visto o quanto antes e permitam que Chris e sua família retornem a Pequim.”

David Barboza, chefe do escritório do jornal em Xangai que escreveu o artigo sobre Wen, era um dos outros seis correspondentes na China que tiveram seus vistos renovados. Advogados que defendem a família de Wen rejeitaram as acusações publicadas na reportagem do Times. O caso de Buckley ocorre após uma recusa das autoridades em maio de renovar o visto da repórter da Al-Jazeera Melissa Chan – uma decisão que foi vinculada a um documentário feito pelo canal de notícias internacional sobre trabalhos forçados em prisões da China. Chan foi a primeira correspondente a ser expulsa do país desde 1998.

Fonte: Veja, 01/01/2013

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