Terça-feira, 6 de dezembro de 2016
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Rio atrai menos projetos industriais em 2015

Crise econômica reduz número de novos investimentos de empresas privadas no estado

A crise econômica freou o número de novos investimentos de empresas privadas no Estado do Rio este ano. Desde o início de 2015, a Companhia estadual de Desenvolvimento Industrial (Codin) captou oito projetos de instalação e expansão de unidades fabris, incluindo iniciativas de grupos como Michelin e a farmacêutica Pierre Fabre.

Juntos, esses oito projetos representam investimento de ao menos R$ 523 milhões, com criação de mais de 460 empregos. Nesse ritmo, a estimativa é chegar a dezembro em patamar próximo ao registrado em 2013, quando foram captados 19 projetos, avalia Marco Antônio Capute, secretário estadual de Desenvolvimento Econômico. No ano passado, foram 43 empreendimentos, totalizando R$ 4 bilhões em aporte e geração de quase 11.200 postos de trabalho.

— Com o atual cenário econômico, haverá queda na atração de projetos. Mas, a despeito da crise, continuamos atraindo novos negócios, investimentos e gerando empregos. Além disso, a economia fluminense vai se beneficiar dos projetos captados anteriormente e sendo inaugurados este ano — avalia Capute, destacando que a lista de projetos da Codin representa apenas parte do total em implantação no Rio de Janeiro. — Importa mais o volume de empregos e resultados gerados pelos projetos captados que a quantidade.

Entre 2015 e 2018, o Rio receberá R$ 5,3 bilhões só de companhias que ampliarão ou abrirão unidades às margens do Arco Metropolitano, que completa um ano em operação, de acordo com a Secretaria estadual de Desenvolvimento (Sedeis). Já existem 25 companhias — Rolls Royce e Deca, entre elas — em atividade nos arredores da via.

Para este ano estão previstas 18 inaugurações na área de indústria no estado. Quatro delas já ocorreram, incluindo a abertura da fábrica da Procter & Gamble (P&G), ontem, em Seropédica.

O projeto de R$ 280 milhões gerou 200 empregos. A quinta unidade da empresa no estado, entre fábricas e centros de distribuição, será dedicada à produção de linhas de cremes dentais da marca Oral-B. Além de alimentar a demanda nacional, será também plataforma de exportação para países do Cone Sul, como Chile e Argentina.

— O segmento em que atuamos, de higiene e beleza, vem registrando crescimento médio de 8% a 9% por ano. Queremos crescer ainda mais do que isso para ganhar em participação de mercado — diz Alberto Carvalho, presidente da P&G no Brasil, destacando que a empresa investiu R$ 1 bilhão em expansão no Brasil entre 2013 e 2015.

O mercado de higiene e beleza do Brasil é o terceiro maior do mundo, atrás de EUA e China, segundo a consultoria Euromonitor.

Antes da abertura da fábrica, que iniciou as operações em fase de testes em outubro de 2014, os produtos da Oral-B eram importados no Brasil. Com a produção local, Carvalho espera reduzir custos de produção, o que pode resultar em queda no preço para o consumidor:

— Quando lançamos a marca no Brasil, assumimos trazer a fábrica. Agora, teremos mais condições de reduzir custos de operação e tentar passar o máximo dessa redução para o consumidor.

A unidade de Seropédica está instalada em um terreno com espaço para futuras expansões, afirma o executivo, que não revela quando isso deve acontecer.

A fábrica de Seropédica encerra um pacote de investimento acordado entre a P&G e o governo do estado em 2008, explica Conceição Ribeiro, presidente da Codin. De lá para cá, a companhia saltou de cem funcionários e faturamento de R$ 200 milhões no Rio de Janeiro para dois mil colaboradores e R$ 3 bilhões em vendas, conta Francisco Bernardes Costa Filho, gerente jurídico e de relações de governo América Latina da P&G.

Obras do Arco Metropolitano

O governador Luiz Fernando Pezão, que participou da inauguração da fábrica em Seropédica, destacou a importância de novos investimentos:

— O mais importante é ter emprego. Quando a gente tem emprego, a economia está rodando. Isso diminui impactos em segurança pública, e os salários das pessoas que estão trabalhando na fábrica movimentam a economia. E quem investe durante a crise cresce mais rapidamente quando a economia se recuperar.

A Sedeis destaca a segunda etapa do Programa de Investimentos em Logística (PIL), anunciada pelo governo federal no mês passado, e que vai permitir conceder as obras dos trechos do Arco Metropolitano que ainda não foram terminadas.

Fonte: O Globo

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