Sábado, 10 de dezembro de 2016
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Rombo de R$ 10 bi deve chegar às contas de luz

O aumento do custo da energia neste ano, associado a uma despesa bilionária de resto a pagar de 2014, tem provocado um desarranjo no fluxo de caixa das distribuidoras avaliado em R$ 10 bilhões até a metade do ano. Esse valor, a ser incorporado futuramente nas revisões tarifárias das distribuidoras de energia, é mais de dez vezes maior do que a despesa que é usualmente “carregada” pelo setor, da ordem de R$ 800 milhões, segundo a Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee).

De acordo com o presidente da entidade, Nelson Fonseca Leite, o “tarifaço” de energia ocorrido neste ano não foi suficiente para equilibrar as contas das distribuidoras. “O setor está suportando um custo da ordem de 100% do Ebitda (sigla em inglês para Lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização), quando o normal é o carregamento em torno de 6% a 8% do Ebitda, algo como R$ 800 milhões por ano”, afirmou Fonseca, que participou nesta quarta-feira do 10º Congresso Internacional do Direito da Energia, realizado na sede da Fiesp, em São Paulo.

Reajustes

A alta do custo ocorre por pressão da chamada CVA: conta que absorve a diferença de custo de energia não repassado à tarifa, e acumula valores devidos. Isso ocorre porque o reajuste das distribuidoras é feito apenas uma vez ao ano. Durante os 12 meses seguintes, qualquer custo adicional é contabilizado na CVA e considerado no cálculo do reajuste seguinte.

Neste ano, explica Fonseca, houve o impacto da alta do dólar sobre a tarifa de Itaipu e o efeito provocado pela conta bandeiras, por exemplo. Além disso, há um residual de valor a pagar de 2014 que soma R$ 2,5 bilhões, segundo a Abradee.

O desarranjo no fluxo de caixa das distribuidoras de energia, setor que já precisou de aporte de mais de R$ 21 bilhões de bancos entre 2014 e o início deste ano, ocorre em um momento particular vivido pelas distribuidoras. Desde julho passado, mais de 30 distribuidoras atuam sem qualquer proteção legal, uma vez que os contratos de concessão estão encerrados.

A assinatura de um aditivo de prorrogação desses contratos está prevista para ocorrer até o final de outubro, mas enquanto esse impasse não é resolvido as distribuidoras enfrentam dificuldades para acessar novas fontes de financiamento.

Fonte: O Estado de S.Paulo.

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