Tecnologia, saúde, educação, negócios sociais, novas mídias e e-commerce são hoje os setores preferidos de quem abre uma empresa

Em 2013, mais de 1,84 milhão de empresas foram criadas no Brasil, o que representa um aumento de quase 9% em relação a 2012, segundo dados da Serasa Experian. Além disso, o país fica atrás apenas da China e dos Estados Unidos em número de empreendedores: são 27 milhões de pessoas envolvidas ou em processo de criação de um negócio próprio, segundo pesquisa da Global Entrepreneurship Monitor de 2012. Ou seja, tem cada vez mais gente empreendendo. De acordo com especialistas, há pelo menos seis áreas que têm atraído mais empreendedores: tecnologia, saúde, educação, negócios sociais, novas mídias e e-commerce.

— Certamente a área digital e a área de serviços são as duas que atraem mais os pequenos empreendimentos — diz Daniela Longobucco, responsável setor de empreendedorismo do Sistema Firjan.

Professor de MBA da FGV, André Pérez, diz, também, que a tecnologia permeia o empreendedorismo nesses e em outros setores, com a criação de soluções tecnológicas dominando o core business de muitas novas empresas.

— Principalmente aplicativos para o uso no dia a dia. Cada vez mais os laptops estão perdendo espaço para tablets e smartphones, com processadores e memórias mais robustas. Qualquer área pode ser explorada hoje, devido à profunda segmentação de áreas no mundo.

Para Alexandre Caseira, coordenador do escritório da Endeavor no Rio, mais do que áreas específicas, há grandes problemas que chamam a atenção dos empreendedores.

— O empreendedor procura um grande problema e, onde tem um grande problema, ele vê uma oportunidade: educação, saúde, logística, construção civil. Em todas essas áreas que o Brasil tem muito espaço pra crescer, há empreendedores abrindo negócios para resolver problemas — afirma Caseira, que faz um alerta. — Não basta buscar uma área que esteja na moda para investir nela: ter tido experiência nesse segmento é fundamental para o índice maior de sucesso do empreendimento. Se não tiver relação com a área, é recomendado buscar um sócio que tenha.

Médico especialista em radiologia e dono da Pró-laudo, Felipe Morais concorda que seja uma grande vantagem ter expertise na área em que se deseja atuar, além de também apostar na associação com um sócio que complemente seus conhecimentos.

— Para ter uma start-up na área de saúde, não acho que seja um pré-requisito, mas é uma grande vantagem, já que sentimos a dor que queremos solucionar na própria pele. Resolver um problema de muitas pessoas e ganhar dinheiro com isso é a base da criação de valor — diz Morais, que, ao lado dos sócios comanda a empresa de telerradiologia que oferece a elaboração de laudos para clínicas e hospitais. — Eu e o Felipe Nirenberg, que fazia residência comigo, conseguimos um sócio com experiência em tecnologia e business, que foi o Alexandre Ribenboim.

Mas é preciso também cuidado para não se optar por empreendedor em um setor apenas porque ele está na moda.

— Quando o empreendedor não tem conhecimento sobre a área em que quer atuar, deve estudar muito sobre o assunto. Apenas com estudos, pesquisas e a realização de um plano de negócios deve ser tomada uma decisão. Até uma pequena lanchonete deve passar por este processo. É possível descobrir, por meio do plano de negócios, que a ideia não é viável. E deve-se fugir dos modismos também, vide as dezenas de sorveterias de iogurte que fecharam nos últimos anos — orienta André Pérez, da FGV.

Fonte: O Globo

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