Sábado, 10 de dezembro de 2016
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Startups brasileiras escolhidas em projeto do Google

Seis startups brasileiras estão entre as 24 selecionadas para a segunda turma do Launchpad Accelerator, programa de aceleração do Google para negócios do Brasil, do México, da Indonésia e da Índia. As escolhidas são: AppProva, BankFacil, Edools, Emprego Ligado, GetNinjas e Love Mondays.

Assim como outras empresas que investem em corporate venture e processos de aceleração, o Google oferece um pacote de benefícios para as startups escolhidas. Todas vão receber US$ 50 mil em recursos sem contrapartida, uma imersão de duas semanas no Vale do Silício com mentorias e workshops, canal aberto com a empresa e espaço de coworking por seis meses, além de US$ 100 mil em créditos para usar em serviços do Google para hospedagem na nuvem.

As startups da nova turma estão principalmente na fase de crescimento, com negócios já consolidados no mercado. “Não estávamos buscando startups de nichos específicos. Queríamos que fossem empresas com potencial de expansão não só no Brasil, mas também no mundo”, afirma José Papo, gerente de relacionamento com desenvolvedores e startups para a América Latina. Ainda assim, entre as selecionadas estão duas startups de recursos humanos, duas de educação, uma fintech e uma de serviços.

Em evento na semana passada no escritório do Google em São Paulo, as startups das duas turmas puderam trocar aprendizados e a nova turma recebeu da primeira alguns conselhos para o processo de aceleração. “Aqui, as pessoas do ecossistema de startups compartilham muitas experiências, mesmo quando são concorrentes. É algo difícil de ver em outros mercados”, afirma Roy Glasberg, líder global do projeto Launchpad Accelerator. Glasberg é israelense e destaca que essa abertura dos brasileiros, algo natural da cultura nacional, é uma vantagem competitiva importante.

A nova turma
Boa parte das startups selecionadas vai aproveitar o processo de aceleração para desenvolver ou melhorar seus produtos ou estratégias para smartphones. Conheça mais sobre cada uma e suas expectativas com o programa.

AppProva – aplicativo para a área educacional, que funciona como um game para estimular os alunos. Permite que o professor acompanhe a evolução de cada aluno e da turma como um todo. “Nosso foco vai ser em melhorias no produto, em tecnologia e vendas”, diz Matheus Goyas, CEO.

BankFacil – plataforma digital de empréstimos que usa imóveis e carros como garantia para reduzir as taxas de juros para os clientes. “Esperamos definir nossa estratégia mobile. Nossa plataforma sempre teve mais foco em desktops, mas há três meses começamos a investir nos celulares”, afirma Sergio Furio, CEO. Além disso, a empresa também quer melhorar seus processos em marketing digital, pois já usa estratégias de SEO e mídia paga para atrair novos clientes.

Edools – Plataforma de ensino a distância para distribuição de cursos, principalmente para o mercado corporativo. “Nosso foco vai ser em criar um app mobile robusto, para videoaulas e streaming”, diz Bernardo Kircove, cofundador.

Emprego Ligado – Plataforma de empregos operacionais em que os candidatos buscam oportunidades mais próximas de onde moram. Além de selecionar pelo salário e pelo tipo de atividade, as pessoas também podem marcar entrevistas pelo app. “Estamos muito animados para saber como o Google olha para esse tipo de usuário, como eles se engajam com tecnologia. Podemos compartilhar experiências”, afirma Jacob Rosenbloom, CEO.

GetNinjas – Marketplace de serviços que faz a ponte entre prestadores de todos os tipos e clientes. “Assim como o Google, nossa base de usuários é bastante dispersa. Temos desde de um pedreiro ou uma diarista com pouca familiaridade com tecnologia até a um professor de inglês ou um fotógrafo, que em geral estão mais acostumados a usar tecnologia no dia a dia”, diz Eduardo L’Hotellier, fundador.

Love Mondays – Plataforma de resenhas de empresas em que os usuários dão sua opinião anonimamente, revelam seus salários e o grau de satisfação com o trabalho. “Nosso foco será em aumentar o engajamento na plataforma, com atenção especial ao app”, diz Luciana Caletti, CEO.

As lições de quem passou pela aceleração
Os empreendedores das oito startups que participaram da primeira turma (Agrosmart, Cuponeria, Elo7, Hand Talk, ProDeaf, Qranio, SuperPlayer e UpBeat Games) são enfáticos ao afirmar que a principal lição aprendida durante o processo de aceleração foi a de dar mais atenção a validações constantes com os usuários, algo que faz parte da cultura do Google.

É comum ver startups investirem em produtos e serviços com o perfil dos clientes, mas sem necessariamente ouvir de novo seus feedbacks. “Trabalhamos bastante a interface do usuário, para ficar mais intuitiva. A gente esquece de validar constantemente a cada novidade”, diz Mariana Vasconcellos, CEO da Agrosmart.

As startups Hand Talk e ProDeaf, que têm aplicativos para pessoas surdas, estão conseguindo internacionalizar seus produtos, com traduções também para a língua de sinais americana. O ProDeaf está desenvolvendo uma tecnologia para que qualquer vídeo disponível no YouTube possa ser traduzido para libras. “Entendemos que nossa solução resolve um problema muito maior do que imaginávamos antes”, diz Flávio Almeida, CEO da ProDeaf.

A Elo7 também trouxe na bagagem a lição de ser mais global e aproveitou o programa de aceleração para desenvolver o app Talk7, que centraliza a gestão do atendimento ao cliente em um único lugar, permitindo realizar vendas e concentrar pagamentos, tudo em uma única tela.

Outra lição aprendida pelas startups vem do exemplo do Qranio, um aplicativo que dá um perfil de game a conteúdos educativos. A empresa, que antes se concentrava no mercado de consumidores finais (B2C), desenvolveu uma solução para empresas (B2B) e agora combina estratégias para os dois mercados. “O Qranio tem uma marca bem estabelecida no B2C, que ajuda a conquistar mais clientes no B2B”, diz Samir Iásbeck de Oliveira, CEO.

Já a UpBeat Games, que ainda tem apenas quatro pessoas na operação, aprendeu como é importante estabelecer processos e observar boas práticas de outras empresas, algo crucial para qualquer negócio no início. “Nunca tínhamos feito nada estruturado em marketing. Saímos do processo sabendo que precisamos ser uma empresa baseada em dados”, afirma Vinicius Heimbeck, fundador. A UpBeat Games produz jogos que fazem sucesso no celular. O principal deles é o Witch Puzzle, que tem 80% de usuários estrangeiros.

Fonte: “Pequenas empresas & grandes negócios”.

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