SÃO PAULO – Quase dois terços (63%) dos diretores de veículos de comunicação da América Latina consideram governos ou grupos políticos fontes da ameaça à liberdade de imprensa, aponta levantamento divulgado nesta segunda-feira durante a 68ª Assembleia da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), em São Paulo. Pelo menos um terço deles admite que os governos atuam para tentar controlar os meios e 34% reclama da adoção de iniciativas que restringem a liberdade de expressão nos países, como leis de controle de conteúdo e manipulação da publicidade oficial.

A sondagem foi realizada nos últimos três meses junto a 101 representantes de empresas jornalísticas de 14 países, a maioria deles localizados na América Latina. Inclui dados de regiões que vivem contextos distintos de violência contra a liberdade de informação, mas, ao mesmo tempo, permite que se conheça a dimensão deste problema a partir do ponto de vista das lideranças dos jornais, revistas e emissoras que integram a SIP.

Para o jornalista Marcelo Beraba, diretor da sucursal do jornal “Estado de São Paulo” no Rio, há motivos para se acreditar que se trata de um desafio crescente e intercontinental.
– Há violência contra jornalistas, redações incendiadas, repórteres mortos a tiros em praça pública, ameaças a proprietários de jornais, revistas e emissoras. O diagnóstico é preocupante e a impunidade o seu principal combustível – afirma o jornalista, responsável pela compilação e apresentação dos dados.
A morosidade da Justiça é apontada por 36% das lideranças dos veículos como responsável pela impunidade em crimes contra jornalistas no continente. A falta de ação das autoridades foi citada por 22% dos entrevistados e 9% citaram o despreparo ou a conivência das polícias.
A ação de organizações criminosas nacionais e locais é a segunda fonte de violência mais citada, depois de políticos e governos. Pelo menos 55% dos líderes de mídia ouvidos citaram este agente. Nos últimos cinco anos, 38% registraram ter sofrido ameaças e ataques, ou tiveram jornalistas mortos. Um terço adota regras de segurança para seus profissionais e 8% mantém jornalistas sob proteção (um quarto deles estão atualmente na América Central e no México).

Fonte: O Globo Online, 15/10/12

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