SP, DF e BA lideram mapa da corrupção

O Mapa da Corrupção, produzido pela AML Consulting, que atua no mercado de soluções e serviços de prevenção à lavagem de dinheiro, mostrou o envolvimento de políticos eleitos pela população em casos de corrupção. Os números indicam concentrações regionais em alguns estados.

São Paulo lidera a relação de estados com maior índice de cargos ocupados por Pessoas Expostas Politicamente (PEPs) titulares envolvidas em crimes econômicos, totalizando 1.234 ou 9,7%; seguido do Distrito Federal, com 874 ou 7%; Bahia e Minas Gerais, com 752 e 718 cargos, respectivamente, o que corresponde a quase 6%; e Paraná, com mais de 597 ou 4,7%.

A AML também analisou os dados relativos aos cargos das PEPs titulares vinculados restritamente com a operação Lava Jato. Assim, algumas colocações são alteradas. A lista é liderada pelo Distrito Federal, com 223 envolvidos ou 24,3%; seguido de São Paulo com 75 envolvidos ou 8,1%; Rio Grande do Sul com 74 envolvidos ou 8%; Rio de Janeiro, com 65 envolvidos, que corresponde a mais de 7%; e Bahia, com 57 envolvidos ou 6,2% do total. O cargo de deputado federal é o que tem mais envolvidos com os crimes vinculados à operação Lava Jato, seguido de senador e prefeito.

As chamadas “Pessoas Expostas Politicamente” são indivíduos que ocupam ou já ocuparam cargos, empregos ou funções públicas de relevância, bem como seus familiares e outras pessoas do seu círculo de relacionamento. As PEPs podem ser pessoas eleitas, como governadores e prefeitos, ou nomeadas, como reitores de universidades e ministros.

A base da lista de PEPs da AML segue recomendações do Gafi (Grupo de Ação Financeira contra a Lavagem de Dinheiro), metodologia que contempla uma seleção mais ampla do que determinam as Leis 9.613/98 e 12.683/12 do Brasil.

O relatório da AML também realizou uma análise da prática de crimes financeiros e corrupção no Brasil. “A análise de dados evidencia um ambiente hostil para empresas atuarem no Brasil”, conclui Alexandre Botelho, sócio-fundador da AML Consulting.

Dos 714 mil perfis identificados, 281 mil são Pessoas Expostas Politicamente (PEPs). As PEPs são classificadas como titulares (pessoas que ocupam ou ocuparam cargos eletivos ou nomeados) e relacionados (sócios, familiares e outras pessoas próximas desses titulares).

• Prefeitos, vereadores e deputados federais são os cargos mais vinculados a crimes de corrupção.

• 9.897 do total de 12.608 são cargos ocupados por políticos eleitos que estão envolvidos com crimes econômicos, o que corresponde a 78,5%.

• Mais da maioria dos cargos que estão envolvidos na Lava Jato, que somam 916 cargos, também é formada por políticos eleitos diretamente pela população — quase 57% ou 522.

• Dos 11.171 prefeitos e vice-prefeitos eleitos em 2016, 1.833 estão envolvidos em crimes de diferentes naturezas, o que corresponde a 16,5%. E desses 1.833 envolvidos, 99 deles são casos de corrupção, ou seja, 5%.

• Dos 57.949 vereadores eleitos no mesmo ano, 2.110 também estão envolvidos em diferentes crimes, o que significa 3,6%. Desses 2.110 vereadores, pelo menos 163 estão envolvidos com crimes de corrupção, o que corresponde a 7,7%.

“Os dados mostram que é fundamental que as empresas tenham práticas de governança corporativa muito estruturadas e áreas de compliance fortalecidas para fazer frente aos desafios de um ambiente em que interesses individuais de interlocutores se sobrepõem”, acrescenta Botelho.

As informações relacionadas às Pessoas Expostas Politicamente são preocupantes. Cerca de 29.139 das 281 mil PEPs cadastradas na base de dados da AML Consulting estão ligadas a crimes econômicos, como corrupção e peculato, o que corresponde a 10,3%. O número é expressivo assim como a quantidade de pessoas físicas e jurídicas envolvidas na Lava Jato.

“Identificamos mais de 11 mil pessoas físicas e jurídicas que têm ligação com a maior operação que está acontecendo em nosso país. O que mostra que esses crimes ocorrem devido também à contribuição e participação significativa do setor privado”, indica.

Fonte: Contas Abertas.

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