Segunda-feira, 5 de dezembro de 2016
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As startups que querem ajudar o governo a cuidar da saúde pública

Descobrir quais são as áreas que têm maiores chances de se tornar foco de dengue, gerenciar medicamentos e prevenir doenças são projetos que podem ser implantados por startups na saúde pública a partir do próximo ano. Como parte de um projeto inovador, essas ideias foram apresentadas no 1º Pitch Gov, um evento que reuniu jovens empreendedores ligados à Associação Brasileira de Startups (ABStartups) para levar ideias ao governo de São Paulo, que poderá financiar os melhores projetos.

“Uma coisa que me deixou animado é a postura desses empreendedores. Eles buscam participar das soluções”, disse o secretário da Saúde de São Paulo, David Everson Uip, durante o evento. “Tudo em que você inova em uma área tão ortodoxa como a saúde, a implementação é tão desafiadora como a criação, mas aí é que entra o governo.”

O edital do governo de São Paulo contou com a inscrição de 304 startups. Divulgado em setembro, o edital abriu oportunidade para que a expertise de novos projetos possa ser útil a ações no estado. A lista dos vencedores deve sair no final de novembro. A Associação Brasileira de Startups registra número superior a quatro mil novos empreendimentos no Brasil, que poderiam trazer soluções para áreas da gestão pública.

Conheça as startups que podem mudar a saúde pública.

Plataforma Saúde

O projeto a Plataforma Saúde é de prevenção: profissionais seriam encaminhados a determinadas áreas com materiais portáteis capazes de fazer diagnósticos de doenças, como diabetes e hipertensão.

“Para executar o serviço, a gente precisa de um profissional habilitado a realizar as aferições e os exames que a gente oferece”, diz Felipe Dias, co-fundador e diretor de Tecnologia da Plataforma Saúde. O foco da empresa são bairros de classes C, D e E. “A gente vê muita oportunidade não só de impactar os cidadãos no sentido de reduzir riscos e o número de óbitos por doenças crônicas, mas também de otimização dos custos, os recursos que são direcionados à saúde.”

Memed

A Memed é uma startup direcionada para médicos que oferece informações importantes a todos os interessados em um atendimento eficiente. Seu serviço é uma plataforma com dados de prescrições de medicamentos, que permite ao profissional identificar quais componentes estão na fórmula de um produto, bem como organizar a prescrição na tela de um computador, celular ou tablet, de forma que possa ser impressa.

“A gente entende que o governo pode acelerar os atendimentos ajudando os médicos a tirar dúvidas mais rapidamente sobre bulas, medicamentos e interações medicamentosas, gerar uma prescrição impressa em segundos, evitando erros e má interpretação dos dados e, finalmente, ajudando os médicos a rastrear essas informações das prescrições”, diz Ricardo Moraes, co-fundador da Memed. Ele afirma que os dados podem responder a questões sobre o uso de determinado medicamento, o que pode evitar fraudes no sistema público.

Aime

A Aime é uma empresa de inteligência para previnir situações de risco aos cidadãos. A partir de análises feitas com o uso de Machine Learning, é possível interpretar dados que indicam a possibilidade de um surto de dengue em determinada localidade.

“O que a gente dispõe hoje é um serviço de previsão de dengue georreferenciada. Em uma cidade como São Paulo, dá para dizer que vai ter um surto da doença em uma área específica de 400 m de raio”, afirma Francisco Araújo, diretor de Inovação. A startup está no país em parceria com a organização Viva Rio. “O que a gente quer é cruzar essa capacidade da AIME de prever o surto de doença e a capacidade do Viva Rio de entregar campanhas e medidas que combatem a doença, antes que ela ocorra.”

Duas províncias na Malásia já receberam testes da AIME. No Rio de Janeiro, outro teste teve resultado de 84,11% de acerto sobre a incidência ou não de surto da dengue em uma região da cidade.

Aquarela

O serviço da Aquarela está em seus conjuntos de algoritmos. A empresa trabalha com números e promete definir padrões de comportamento de pacientes, de forma a permitir a criação de políticas específicas para grupos semelhantes.

“A aplicação direta disso é realmente descobrir que existe uma demanda num bairro x e que o governo tem que reagir de acordo”, diz Joni Hoppen, Diretor Financeiro e de Operações da Aquarela. Ele lembra que tanto o poder público como instituições privadas da área da saúde são alvos de diversos processos na justiça. “O que nós queremos é dar agilidade para o governo, dar inteligência, instalar esses tipos de algoritmos no córtex da gestão, para que a gestão seja realmente inteligente.”

Saúde Controle

O levantamento de dados também é trabalho do Saúde Controle, uma plataforma na qual é possível registrar o histórico médico de um paciente e, ainda, identificar como é o comportamento da população, agrupando pessoas conforme as semelhanças em seus registros.

“Desde o início, quando nós criamos o Saúde Controle, nós vimos que só a necessidade de o usuário colocar a informação ainda faltava ser complementada com informações que viriam de instituições, de hospitais e de clínicas laboratoriais”, diz Phelipe Spieldmann, co-CEO e fundador da startup. “A partir do momento que o governo patrocina essa mudança, ele nos dá muito mais condições de trazer a informação ao usuário.”

Fonte: Época Negócios, 19/11/2015

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