TED, uma marca global que traz prestígio

Duas agências e uma produtora são as parceiras locais da edição global que acontece esta semana no Rio. É a primeira vez que a conferência desembarca na América Latina

O TED Global, conferência-irmã do TED – encontro que nasceu há 30 anos nos EUA para discutir tecnologia, entretenimento e design – abriu suas portas no Copacabana Palace e na praia de Copacabana nesta segunda-feira, 6. O evento internacional, que conta com 900 participantes, é um daqueles que desperta desejos de acompanhar in loco e que tem um conteúdo tão inspirador que é compartilhado em diversas línguas, inclusive o português, um dos idiomas que mais reúne voluntários para tradução.

Para organizar esse encontro – que se estende até a sexta-feira 10 –, o TED Global contou com o trabalho de duas agências e de uma produtora brasileiras. A Dream Factory esteve encarregada de produzir o evento e ainda captar patrocinadores locais. A Profile assumiu o PR e promoveu reuniões entre dirigentes do TED e lideranças do mercado brasileiro. E a Black Maria criou 13 vídeos para a conferência, exibidos entre os painéis. As três foram unânimes em afirmar que trabalhar com um cliente desses confere muito prestígio. Afinal, a marca tem credibilidade internacional e em torno dela gravitam outras companhias, formando uma importante rede.

As agências e a produtora foram contratadas de maneiras distintas. A Dream Factory foi convidada a trabalhar com o TED Global, o primeiro feito na América Latina, depois que uma parte do staff esteve na Soccerex, em 2012, evento que a agência produziu. De lá para cá, foram diversas discussões para montar o evento e prospectar patrocinadores (e fazer a ativação de alguns deles, como a Delta). Uma das preocupações era o impacto sobre a praia – esta é a primeira vez que o TED acontece numa área externa.

Já a Profile foi acionada muito em virtude do relacionamento que Rodrigo Cunha, sócio da empresa, já tinha com o próprio TED. O brasileiro participou de diversas edições internacionais e esteve entre os promotores do primeiro TEDx (versão independente, mas com licença gratuita dos organizadores) no Brasil (em 2009) e do TEDxAmazônia (2010). “A cada evento eu dizia que eles deveriam vir ao Brasil. No final de 2012, um pessoal passou um tempo no Rio. Chegaram a estudar outros locais, mas acharam melhor fazer no Rio. Foi quando recebemos um convite para trabalhar com eles”, lembra.

A relação da Black Magic, por sua vez, aconteceu via Nova York seis meses atrás. Uma empresa parceira dos organizadores recomendou a produtora, que acionou o escritório em São Paulo. A produtora fez as vinhetas de 25 segundos que entram antes dos painéis. O conceito “Experimentos” permeia todos os vídeos criados, que envolvem artistas e tecnologia. São 13 filmes que retratam diferentes tipos da região e que abordam símbolos latinos, com criatividade e inovação, remetendo ainda a aspectos tradicionais da cultura. Os diretores desses vídeos são Felipe Rocha, Daniel Coronel, Athila Meireles, Manuel Nogueira, Pedro Burneiko, Thiago Zanato, Gabriel Pinheiro, Victor Garcia, Eduardo Marques e Airton Groba (Estúdio Preto) e André Holzmeister.

O TED Global traz como tema “South!”, com exclamação, disse o suíço Bruno Giussani, curador do evento, para salientar a importância do Sul como uma região vibrante do planeta e onde se está construindo uma nova dinâmica (leia mais abaixo). Como Chris Anderson, curador do TED, ele tem um papel fundamental na conferência por coordenar e definir os palestrantes de cada edição do encontro global. Afinal, o coração de todo e qualquer evento da marca é o conteúdo. Nesta edição, entre os palestrantes estão nomes como o oceanógrafo Fabien Cousteau, o explorador Robert Swan (que viajou pelos dois polos), a escritora Marie Arana (biógrafa de Simon Bolivar), a jornalista Melissa Fleming (porta-voz do Alto Comissariado da ONU para refugiados), o também jornalista Glen Greenwald (que trouxe ao mundo as denúncias de Edward Snowden), o publicitário José Miguel Sokoloff (da Lowe SSP3, que vai falar sobre as Farcs na Colômbia) e os brasileiros Vik Muniz (artista plástico), Miguel Nicolelis (neurocientista), José Padilha (diretor) e Bruno Torturra (famoso pela Mídia Ninja, que se destacou nas manifestações de junho de 2013). A lista completa dos palestrantes pode ser vista aqui.

O conteúdo é disponibilizado gratuitamente depois em vídeo. Durante os dias do TED, cerca de 40 pontos no Rio também terão transmissão ao vivo da conferência (MAC, de Niterói, Arena Jovelina Pérola Negra, na Pavuna, e na Biblioteca Parque Estadual, entre outros). É o projeto TED Para Todos. Essas e outras informações podem ser conferidas no blog da conferência.

Confira abaixo entrevista com Bruno Giussani:

Meio & Mensagem: Como e por que surgiu a ideia de fazer essa edição do TED no Brasil?

Bruno Giussani: O TED Global será o primeiro evento oficial do TED na América Latina. Ele teve edições anteriores na Europa e na África, com uma edição especial na Índia há um tempo atrás. Entretanto, nos últimos anos, a comunidade TED na América Latina cresceu de maneira espetacular, especialmente por meio do TED.com e pelo Open Translation Project (projeto de tradução voluntária de legendagem das palestras, em que português e espanhol estão entre as línguas mais populares). Sem falar, obviamente, das centenas de palestras de eventos TEDx que acontecem por todo o continente, baseadas no formato TED, mas organizadas de maneira independente por times locais competentes e empolgados. Então, ficou claro para nós que era hora de trazer o TED Global para a América Latina. Vimos várias opções, e o Rio ficou em primeiro. Certamente ajudou o fato de que o prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes foi palestrante no TED 2012 e, portanto, conhece bem o TED. Para ficar claro, a conferência acontece no Brasil, mas é um TED Global, com palestrantes e tópicos internacionais.

M&M: De que forma selecionam os speakers? No caso do Brasil, o que prevaleceu?

Giussani: O processo de seleção é contínuo, nunca para. Estamos constantemente procurando ideias, recebendo sugestões, falando com pessoas, visitando laboratórios etc. O programa vai se construindo aos poucos, mais ou menos como um sumário de uma revista vai se formando: quais as histórias que são novas, interessantes, importantes, relevantes, com potencial de impacto, e quais se encaixam dentro do tema de determinada conferência. O tema do TED Global 2014 é “Sul!”, com um ponto de exclamação. Assim, não é somente um destino geográfico, mas uma afirmação de um fato: que o Sul é uma parte vasta e vibrante do mundo, onde uma nova dinâmica global está se construindo. O TED Global quer mostrar um retrato deste Hemisfério Sul. Os palestrantes brasileiros foram escolhidos dentro deste mesmo critério.

M&M: O TED Global pode ficar mais tempo no Brasil – ou seja, ser realizado por aqui em 2015, 2016… como aconteceu com outras edições?

Giussani: Gosto dessa ansiedade, mas essa é uma discussão que só pode acontecer depois que esta edição terminar: é nossa primeira vez no Rio, precisamos de um tempo para fazer acontecer.

M&M: Como contratam as agências e as produtoras para atuar nos eventos locais? Que critérios norteiam essa escolha?

Giussani: Nós realmente gostamos de trabalhar com pessoas e empresas que sabem o que estão fazendo e podem entregar uma grande qualidade profissional. Este é realmente o único critério.

M&M: Até agora, o que tem achado do Brasil e que questões vocês entendem como sendo importantes para o desenvolvimento do país?

Giussani: Não cabe a mim dizer aos brasileiros o que deveriam fazer do seu país, eles sabem muito melhor o que funciona e o que não funciona, e também o que poderia e deveria ser feito para criar valor compartilhado e qualidade de vida de uma maneira que seja sustentável no longo prazo. Viajei com frequência ao Brasil durante os últimos anos e vi um país vibrante, diverso, muitas vezes contraditório, muitas vezes surpreendentemente criativo. É um país que está em um momento muito interessante em sua história, tem um potencial gigantesco, e tem algumas escolhas difíceis por fazer. Eu fico ouvindo aquela piada de que o “Brasil é o país do futuro e sempre será”. Bem, acredito que agora é o momento certo para os brasileiros mostrarem que o futuro chegou. Esse é um dos motivos pelos quais o TED Global será no Rio.

Fonte: Meio & Mensagem

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