Terça-feira, 6 de dezembro de 2016
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Universidades do exterior recebem mais brasileiros

O número de estudantes brasileiros aprovados em universidades americanas aumentou 34,8% em 2015. Em busca de experiência internacional, melhores oportunidades de trabalho e preocupados com a situação das universidades públicas brasileiras, alunos de escolas particulares começam a se preparar já no ensino fundamental para conquistar uma vaga em uma instituição no exterior.

É o caso de Luca Catena, de 17 anos, do colégio Bandeirantes, na Vila Mariana, zona sul de São Paulo. Já no 9.º ano do ensino fundamental, ele sabia que queria estudar fora do Brasil e começou a se preparar, já que, além de boas notas, a maioria das universidades no exterior também avalia as atividades extracurriculares dos candidatos.

“Comecei a dar aulas de inglês para alunos de escolas públicas, em um projeto voluntário da minha escola. Fiquei um pouco resistente no começo, mas adorei. Hoje, é o que mais gosto de fazer fora da escola”, disse Catena. Ele ainda não tem certeza sobre qual curso fazer – a área de comunicação é a que mais o atrai –, mas sabe que quer estudar em Harvard, na Universidade de Nova York ou na Universidade de Chicago.

José Olavo de Amorim, coordenador de assuntos internacionais do Bandeirantes, disse que os alunos cada vez mais cedo procuram orientação para ingressar em universidades no exterior. O que, segundo ele, garante mais chances na aprovação. “Exige um preparo acadêmico, psicológico e financeiro. Estudar fora não é romântico como pode parecer. O aluno precisa responder por que ele é interessante para aquela universidade em que quer estudar.”

Em 2012, o Bandeirantes teve dez alunos aprovados em universidades do exterior. Neste ano, foram 31 aprovados. Segundo Amorim, a maior parte dos alunos que vai estudar fora do país faz cursos na área de engenharia, comunicação e business. “A gente orienta que para outras áreas, como as de saúde e direito, não é tão fácil a validação do diploma depois.”

Na Escola Internacional de Alphaville, em Barueri, também houve aumento. Em 2014, cinco alunos foram aprovados em universidades estrangeiras e, neste ano, foram 14. Marilda Bardal, coordenadora de relações internacionais, disse que a escola oferece aos alunos revisão para os vestibulares nacionais e curso preparatório para o Scholastic Aptitude Test (SAT), um dos principais exames usados por universidades americanas para escolher candidatos, e exames de proficiência do inglês. “Oferecemos atividades extracurriculares para que tenham um aprendizado humano e desenvolvam outras habilidades.”

Dados

Segundo levantamento da empresa Apply Brasil, que auxilia brasileiros na inscrição para universidades americanas, em 2014, 5.094 brasileiros foram aprovados. Em 2015, foram 6.874. Para Mateus Benarrós, fundador da empresa, o aumento se deve principalmente ao melhor conhecimento dos alunos do processo de inscrição.

“Mas a situação das universidades brasileiras, com cada vez menos investimento, e a sensação de insegurança financeira no país também influencia”, diz Benarrós, que estudou na Universidade de Yale.

Ele explica que o processo de admissão nas universidades americanas leva em consideração três quesitos: as notas no SAT (que não é obrigatório), o application (onde o aluno apresenta o histórico escolar, as atividades extracurriculares que já fez e conta sobre sua vida e objetivos) e os documentos financeiros. Segundo Benarrós, o aluno também deve ficar atento às bolsas, já que as universidades oferecem oportunidades. O custo médio para estudar nas instituições mais prestigiadas, como Harvard, Yale, Princeton e Columbia, é de até US$ 75 mil ao ano. Em outras, a média é de US$ 40 mil ao ano.

Alemão

No colégio Porto Seguro, no Morumbi, que tem currículo em inglês e alemão, também houve aumento de alunos que vão estudar fora, sobretudo na Alemanha. Em 2014, o colégio teve 24 aprovados em universidades do exterior e, neste ano, 97. Celina Cattini, diretora do colégio, contou que o processo de seleção das universidades alemãs é parecido com o das americanas, com a avaliação de experiências extracurriculares.

Fonte: “O Estado de S. Paulo”.

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