Terça-feira, 6 de dezembro de 2016
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Vulnerabilidade social recuou 22% em 10 anos no Rio

Estudo do Ipea mostra melhora entre 2000 e 2010

Estudo divulgado nesta segunda-feira pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), órgão federal vinculado ao Ministério do Planejamento, mostrou que a Região Metropolitana do Rio de Janeiro passou de uma situação de alta vulnerabilidade social, com Índice de Vulnerabilidade Social (IVS) de 0,410 no ano 2000, para o status de média vulnerabilidade social em 2010, chegando a um IVS de 0,319. Na prática, segundo o estudo, a região melhorou as condições de moradia, renda e serviços públicos como saúde e educação, água, esgoto e coleta de lixo, além de reduzir a mortalidade até um ano de idade nesse período.

O IVS varia de zero e um. Quanto mais próximo de um, maior é a vulnerabilidade social de um território. Quanto mais próximo de zero, menor vulnerabilidade social o local apresenta. O levantamento do Ipea englobou 16 regiões metropolitanas do país: Belém, Belo Horizonte, Vale do Rio Cuiabá, Curitiba, Região de Desenvolvimento Integrado do Distrito Federal, Fortaleza, Goiânia, Manaus, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, Grande São Luís, São Paulo e Grande Vitória. Em todas elas houve redução da vulnerabilidade social.

No caso da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, a redução da vulnerabilidade social foi de 22,2% em dez anos. Entre outros indicadores, a mortalidade até um ano de idade (em cada mil nascidos) caiu de 23,7% no ano 2000 para 13,7% em 2010. Também caiu a taxa de analfabetismo da população com 15 anos ou mais de 5,67% para 3,67% no mesmo período. Já a taxa de desocupação da população com 18 anos ou mais foi reduzida de 17,42% para 7,78%.

Melhor índice foi o de Porto Alegre

Segundo a publicação, o melhor IVS foi observado nas regiões metropolitanas de Porto Alegre (0,270), do Vale do Rio Cuiabá (0,284) e de Curitiba (0,285), todas consideradas com baixa vulnerabilidade social. A redução foi, comparativamente, maior na região metropolitana do Vale do Rio Cuiabá (31%), que passou de um IVS de 0,412 (alta vulnerabilidade social), em 2000, para 0,284 (baixa vulnerabilidade social), em 2010.

Das cerca de 10 mil Unidades de Desenvolvimento Humano (UDHs), recortes territoriais dentro das 16 áreas metropolitanas analisadas, que podem ser parte de um bairro, um bairro completo ou, em alguns casos, até um município pequeno, 19% estavam nas faixas mais altas da vulnerabilidade social em 2010. No ano 2000, quase 60% das UDHs estavam nesta situação.

O IVS é composto por 16 indicadores divididos em três grupos: Infraestrutura Urbana, Capital Humano e Renda e Trabalho. No capítulo infraestrutura urbana, os indicadores refletem as condições de acesso da população aos serviços de saneamento básico e de mobilidade urbana, itens que impactam significativamente no bem-estar das pessoas. Já o item capital humano determina as perspectivas de inclusão social das pessoas pela saúde e educação.

O capítulo renda e trabalho observa aspectos como a insuficiência de renda presente, a desocupação de adultos, a ocupação informal, a dependência com relação à renda de pessoas idosas e trabalho infantil. O IVS foi calculado para os anos de 2000 e 2010, a partir de indicadores disponíveis na plataforma do Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil dos Censos Demográficos do IBGE.

As maiores evoluções ocorreram na dimensão renda e trabalho e foram observadas em 14 das 16 regiões metropolitanas em estudo. A diminuição da vulnerabilidade social associada à renda e trabalho ocorreu, em maior proporção, nas regiões Sul e Sudeste, entre elas Curitiba, Belo Horizonte, Porto Alegre, Grande Vitória e São Paulo. Na dimensão capital humano, a diminuição mais expressiva da vulnerabilidade social ocorreu em Curitiba (34%). Segundo o Ipea, nenhuma região metropolitana estudada apresentou evolução inferior a 26% nesse capítulo.

Já a dimensão infraestrutura urbana foi a que registrou os menores progressos, mas sem casos de aumento da vulnerabilidade. Variações superiores a 10% foram observadas apenas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

A Região Metropolitana da Grande São Luís, mesmo apresentando a maior evolução na infraestrutura urbana (redução de 24%), ainda permaneceu com a maior vulnerabilidade entre as 16 regiões metropolitanas analisadas, especialmente nos capítulos “acesso ao saneamento (água, esgoto e coleta de lixo)” e ao “tempo de deslocamento casa-trabalho”. O seu IVS em 2010 foi de 0,527 – única região metropolitana ainda na faixa da muito alta vulnerabilidade social em infraestrutura.

Fonte: O Globo

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