Nome: Jornal do Comércio    Endereço: www.jcrs.uol.com.br
Data: 26/05/2009    Mídia: Site

Dia sem impostos alerta para alta carga tributária

Gasolina mais barata e manifestações criativas marcaram ontem o Dia da Liberdade de Impostos, comemorado em algumas cidades gaúchas e também em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Em Novo Hamburgo, cerca de mil pessoas participaram das atividades, como uma caminhada da conscientização.
Para simbolizar os 148 dias que o brasileiro trabalha no ano somente para pagar seus impostos, empresários, atletas e colaboradores pedalaram 148 quilômetros em uma bicicleta ergométrica. A presidente da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Novo Hamburgo, Campo Bom e Estância Velha (ACI), Fatima Daudt, fez o último percurso.

Paralelamente aconteceu a Corrida Maluca dos Impostos, onde 13 equipes formadas por estudantes e empresários decoraram os carrinhos de lomba com motivos tributários e responderam a questões sobre conhecimentos de impostos brasileiros. “Não queremos deixar de pagar os impostos. Nossa proposta é conscientizar as comunidades e os governos, fazendo com que todos saibam a importância desse retorno de valores em prol de cada cidadão”, enfatiza Fatima.
No Rio Grande do Sul, os dois postos que ofereceram gasolina sem impostos abasteceram cerca de 400 veículos. Apoiaram as ações realizadas no Estado, além da ACI, a Associação da Classe Média (Aclame), a Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), o Instituto de Estudos Empresariais (IEE) e o Instituto Liberdade. Na rua Santana, em Porto Alegre, o posto Firenze registrou forte movimento desde as primeiras horas da manhã. A fila de veículos deu a volta no quarteirão.

Em Porto Alegre, 250 clientes economizaram R$ 24,00 cada um, referentes à diferença de R$ 1,20 entre o preço que pagariam normalmente e os R$ 1,24 que pagaram na promoção, limitada à venda de 20 litros por veículo. Em Novo Hamburgo, na Região Metropolitana, outro posto ofereceu 150 senhas para a venda de 20 litros por motorista de automóvel e mais 30 senhas para a venda de cinco litros para motociclistas. A gasolina foi oferecida a R$ 1,25. A Associação da Classe Média (Aclame) também promoveu, em conjunto com entidades locais, uma passeata em Lajeado e uma corrida maluca dos impostos com carrinhos de lomba alegóricos em Novo Hamburgo.

No Rio de Janeiro, a fila congestionou o trânsito na rua em que o posto credenciado distribuía senhas. Na capital paulista, 260 veículos foram abastecidos ontem com o litro de gasolina 40% mais barato que o preço médio de mercado. A redução foi equivalente à porcentagem de impostos cobrados sobre o combustível. A gasolina pode ser adquirida por R$ 1,4624, enquanto o preço médio chega a R$ 2,399.

Sobre o preço da gasolina incidem a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), o Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), além de tributos federais que correspondem a 13% do valor final do produto. O consumidor paga ainda ao governo estadual o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), igual a 32% do preço.

A escolha do dia 25 de maio para a celebração do Dia da Liberdade de Impostos foi simbólica. “A data foi escolhida para lembrar o dia exato em que o brasileiro encerra o período do ano em que só trabalha para pagar tributos”, explica um dos organizadores da campanha, o advogado Ricardo Salles.

Segundo seus cálculos, o brasileiro tem de trabalhar 145 dias (de 1 de janeiro a 25 de maio) apenas para pagar tributos governamentais. “A sobrecarga tributária impede o crescimento econômico e quem sofre mais são as pessoas com menor renda”, revela.

Também em protesto contra a carga tributária brasileira, a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) chamou a atenção ontem para o “impostômetro”, placar que indica no centro de São Paulo quanto o cidadão pagou de impostos desde o início do ano. O medidor chegou às 15h16min de ontem à marca de R$ 400 bilhões de impostos federais, estaduais e municipais. No ano passado, o placar passou da marca de R$ 1 trilhão em tributos.

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