Editorial de “O Estado de São Paulo”: Inflação alta, caminho aberto para mais um ajuste

A Ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central realizada nos dias 14 e 15 deste mês deixa entreabertas as duas questões centrais do aperto em curso: a tendência de inflação não é benigna e os juros tendem a aumentar. Na melhor das hipóteses para quem paga taxas altas ou descrê da eficácia da política monetária, o juro básico deverá aumentar mais uma vez, em fevereiro. É o que prevê o departamento econômico do segundo maior banco privado, estimando uma última alta da Selic neste ano, de 0,25 ponto porcentual, elevando o juro a 10,75% ao ano.

O texto trata das questões mais delicadas que envolvem a condução da política econômica, como a necessidade tanto do ajuste fiscal quanto da preservação da confiança. Lembrando que ajuste e confiança têm tudo em comum.

Segundo a ata, “as informações disponíveis sugerem certa persistência da inflação, o que reflete em parte o fato de a inflação de serviços seguir em níveis elevados” (superiores a 7% ao ano). Desde a reunião anterior do Copom, “a mediana das projeções coletadas sobre a variação do IPCA em 2014 elevou-se de 5,92% para 6%”.

O Banco Central sugere que a geração de superávits próximos à média dos últimos anos ajudaria a reduzir o custo da dívida pública e do capital, estimulando o investimento

Atualmente, a política monetária é o único instrumento anti-inflacionário em ação. Por isso a geração de superávits primários “compatíveis” – leia-se maiores – “contribuiria para arrefecer o descompasso entre as taxas de crescimento da demanda e da oferta”. O Banco Central sugere que a geração de superávits próximos à média dos últimos anos ajudaria a reduzir o custo da dívida pública e do capital, estimulando o investimento.

Mas é no tocante à relação entre a inflação elevada e o grau de confiança das empresas e das famílias que a Ata do Copom merece mais destaque. Taxas altas de inflação provocam “aumentos dos riscos e deprimem os investimentos”. A consequência é o “encurtamento dos horizontes de planejamento das famílias, empresas e governos, bem como a deterioração da confiança dos empresários”.

O governo Dilma precisaria ter a coragem de tomar ao pé da letra o alerta do Banco Central, que não tem hesitado em sacrificar prestígio para não expor com mais veemência a fragilidade da política conduzida pela chefe do Executivo e o Ministério da Fazenda. A propósito, não é a primeira vez que o Copom faz o alerta.

Ontem, mais do que a ata, a oscilação dos juros futuros refletiu o IPCA-15 abaixo das previsões de mercado, mas, ainda assim, bastante elevado (0,67% entre 16/12 e 15/1).

Fonte: “O Estado de S. Paulo”

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