Economia espera por um sistema portuário mais eficiente

Mais de 90% em volume, e cerca de 80% em valor, do comércio exterior brasileiro transitam pelos portos do país, marítimos e fluviais. Quase todas as capitais litorâneas brasileiras se desenvolveram “abraçando” seus portos, o que, no passado, até contribuiu para a dinamização das economias locais e regionais, pois dessas cidades partiam as estradas para o interior. Com movimentação crescente, a maioria dos portos precisa se adaptar ao convívio com as cidades onde estão inseridas ou das quais são vizinhos, para terem um bom desempenho sem tumultuar ainda mais a vida urbana.

Empresas privadas modernizaram o funcionamento dos portos, mas o setor precisa de investimentos públicos e entrosamento com outros modais de transporte

Portos sempre tiveram o seu “próprio mundo”, com regras bem específicas e distintas do conjunto do sistema de transportes, às vezes até com um certo conflito em relação aos outros modais. Essas características peculiares geralmente encarecem o serviço portuário, que também está sujeito a impactos negativo de fatores externos, como é o caso da uma enorme burocracia governamental que envolve o setor.

Nações mais dependentes do comércio exterior tiveram que transformar radicalmente essa atividade, e o resultado é que hoje existem portos ágeis, que possibilitam a atracação de navios gigantes, barateando o custo de transporte sem que isso chegue a comprometer a rentabilidade das várias etapas da cadeia logística.

Desde o início da década de 90, com a lei de modernização dos portos, avanços importantes ocorreram no Brasil. A relação trabalhista, antes conflitiva, tem evoluído para um modelo mais adequado para a atividade. A informatização vem se tornando uma realidade, e a maioria dos terminais operados por companhias privadas funciona com equipamentos de última geração. Ainda assim, o resultado está aquém do que a economia necessita. Portos públicos e terminais privativos precisam aumentar a capacidade de movimentar cargas, reduzir custos e ser mais ágeis. É inconcebível que continuem a se formar “filas de espera” tão longas para navios e caminhões nos acessos marítimos e terrestres, principalmente nos períodos das safras. Por falta de uma boa integração dos diversos modais de transporte, cargas que deveriam ser embarcadas no Norte e no Nordeste vão para o Sul ou o Sudeste. O que deveria seguir por ferrovia e navio acaba sendo transportado por caminhão, sobrecarregando as estradas.

O governo promete divulgar nas próximas semanas um programa de aprimoramento dos portos e aeroportos. O modelo em que empresas privadas operam portos públicos se mostrou até aqui o mais recomendado para o setor. No entanto, há investimentos que dependem do setor público (acessos, dragagem, marcos regulatórios que estimulem investimentos e ao mesmo tempo protejam os usuários), envolvendo inclusive esferas estaduais e municipais. Se o programa caminhar na direção do que foi anunciado para as ferrovias, será um avanço.

Fonte: O Globo, 27/09/2012

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