Desde junho, as famílias vêm aumentando seu endividamento – em cheques pré-datados, cartões de crédito e de lojas, empréstimos pessoais, prestações do carro e seguros. Entre setembro e outubro, o porcentual de famílias endividadas foi de 58,9% para 59,2%, segundo pesquisa da Confederação Nacional do Comércio (CNC). O problema é o grau de endividamento, pois, isso poderá ter algum impacto negativo nas vendas de fim do ano, quando é maior a atividade do varejo.

Porém, alguns dados positivos aparecem na pesquisa da CNC: entre outubro de 2011 e outubro de 2012, caiu o total de endividados e o daqueles que não poderão pagar as contas (de 8,2% para 7%). E foi maior a redução do endividamento das famílias com renda de até 10 salários mínimos. O porcentual dos muito endividados cedeu de 23,7%, há um ano, para 20,2%. A proporção de famílias muito endividadas é a menor desde 2010.

Mas, entre setembro e outubro, o porcentual dos que têm dívidas em atraso aumentou de 19,1% para 20,5%. E 74,2% das famílias têm dívidas justamente no cartão de crédito, cujo custo, em setembro, era de 10,4% ao mês, ou 228% ao ano.

As famílias com renda de até 10 salários mínimos estão mais endividadas no cartão de crédito e em carnês de lojas. Aquelas com renda superior devem mais em prestações da casa própria, financiamento do veículo ou no cheque especial – neste caso, há indício de descontrole, dado o custo médio de 150% ao ano. Nestas famílias, a inadimplência passou de 9,8%, há um ano, para 11,6%.

Outra pesquisa, da Anefac, mostrou que 61% dos trabalhadores usarão o 13.º salário para pagar dívidas, ante 60%, no ano passado. Diferença pequena, mas indica um comportamento responsável do consumidor. Como os juros, embora em queda, ainda são altíssimos, endividar-se exige cautela.

O crédito é o motor do crescimento das economias desenvolvidas, e passou a desempenhar igual papel no País. Mas, para que possa se expandir em bases sustentáveis, maior empenho na educação financeira terá de ser propiciado aos que entram no mercado de consumo, pois muitos não tinham emprego, nem crédito, até pouco tempo atrás.

O porcentual de devedores com contas em atraso ainda é muito alto, tanto em famílias com renda inferior a 10 mínimos (22,7%) quanto nas de renda superior (11,6%). É um dos fatores que limitam uma expansão mais rápida dos empréstimos, inclusive neste final de ano, apesar de a política econômica privilegiar o consumo.

Fonte: “O Estado de São Paulo”, 26/10/2012

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