Racialismo contamina de vez universidade pública

O jornal “O Globo” critica a decisão do Senado da implementação de cotas nas universidades públicas do país. Leia na íntegra o editorial publicado em 09 de agosto.

Racialismo contamina de vez universidade pública

A aprovação final, pelo Senado, da criação de cotas na distribuição de vagas nas universidades públicas consolida a infiltração da ideologia da discriminação racial no ensino superior, com implicações sombrias para o futuro.Poderia, inclusive, ter sido pior. Em quatro anos de negociação no Congresso, foi pelo menos possível atenuar a proposta do lobby racialista, com a instituição de uma cota de cunho social, menos desastrosa, em que pelo menos 50% das vagas nas universidades públicas e escolas técnicas federais serão destinadas a alunos que tenham cursado todo o ciclo médio na rede estadual ou municipal.

Neste universo de estudantes, metade dos quais terá de vir de famílias com renda de até um salário mínimo, será aplicada a discriminação segundo a cor da pele, conforme a distribuição censitária de negros, pardos e índios em cada unidade da Federação, segundo o IBGE.

Sai vitorioso o grupo defensor da ideologia racialista, especialmente atuante em Brasília com a chegada do PT ao Planalto. Muito inspirado na experiência americana, uma sociedade assentada no conceito de “raça”, ao contrário da brasileira, construída na miscigenação, o movimento cotista recebe há tempos apoio de ONGs financeiramente poderosas, como a Fundação Ford. Muniu-se do falacioso argumento da “dívida histórica” com os negros escravizados — quando negros também foram donos e comerciantes de escravos — e conseguiu baixar normas e fazer tramitar projetos no Congresso, com razoável sucesso, como se vê.

A imposição do racialismo às universidades públicas chega quando várias delas encontraram formas de praticar ações afirmativas sem permitir a entrada no ambiente acadêmico do perigoso vírus do racismo. A UFRJ, por exemplo, adota desde 2010, cotas sociais, para facilitar a matrícula de oriundos da rede pública. A UFF fez o mesmo este ano. Outras aplicam um sistema de bônus para estes estudantes. Sempre com a preocupação de não relegar a segundo plano algo vital no ensino, o mérito de cada um, independentemente da “raça”.

O avanço do movimento racialista teve, há pouco, respaldo no Supremo Tribunal Federal, onde não foram acolhidas reclamações contra este tipo de discriminação, feitas com base no princípio constitucional da igualdade de todos perante a lei. Vingou a tese do “tratamento desigual para desiguais”.

E assim o país entra no perigoso atalho de tentar contornar o grave problema da baixa qualidade do ensino público básico com um sistema de cotas em que negros, pardos e índios são privilegiados. O azar ficou para o branco pobre.

Infelizmente, a grande ação afirmativa, a melhoria do ensino público básico, demorará para produzir efeitos concretos. Talvez o branco que nascer em família pobre na próxima geração tenha alguma sorte.

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