Jovem casal empreendedor abre segunda unidade do negócio de dança

Bernardo Motta e Joana Machado (Studioadois)

O jovem casal de empreendedores Bernardo Motta, de 27 anos, e Joana Machado, de 24, é um exemplo de sucesso. Professores de dança de salão, se conheceram ainda bolsistas do Centro de Dança Jaime Arôxa. Após muito batalharem e vencerem obstáculos, que vão desde a desconfiança da imobiliária que alugaria a sala à comprovação de renda, mostraram que os jovens podem e devem abrir o seu próprio negócio – apesar das dificuldades encontradas no Brasil para qualquer empreendedor.

Hoje o casal, que começou a empresa em uma pequena sala alugada, é proprietário do Studio a Dois, já com duas unidades em funcionamento em Nitéroi (RJ). Confiantes, anunciam que a terceira unidade está por vir. O Instituto Millenium entrevistou Bernardo pela Semana Imil da Juventude, dedicada ao Dia Internacional da Juventude, 12 de agosto, estabelecido pela ONU. Confira:

Instituto Millenium: Como vocês decidiram abrir um estúdio próprio de Dança?

Bernardo Motta: Eu e Joana éramos instrutores de uma escola de dança do Jaime Arôxa, um grande nome da dança de salão. Resolvemos sair de lá. A gente dava aula em academias de musculação, mas percebeu que essas academias não sabiam administrar a área da dança, não aceitavam nossas sugestões. Estava ficando difícil. Além de aulas, nós queríamos promover bailes e viagens, mas como não éramos proprietários dos espaços, não tínhamos como organizar os eventos. Outro problema era a questão financeira, fomos “passados pra trás” em alguns pagamentos. Eu decidi, junto à Joana, capitalizar para abrir uma sala de dança. A necessidade nos fez abrir a nossa escola, mas obtivemos sucesso.

IMIL: Quais foram as dificuldades encontradas para abrir um negócio próprio?

Motta: Foram muitas as dificuldades. As imobiliárias perguntavam para o que seria o aluguel; quando respondíamos que era pra dança, já havia um receio. O fato de sermos jovens também pesava muito. Na época tínhamos 24 e 21 anos e não nos deixavam de maneira alguma alugar. Precisávamos comprovar renda e para a gente era complicado, somos autônomos. A dança é muito vulgarizada nesse meio, ninguém dava muita fé. Um dia encontramos um prédio (hoje matriz do studio a dois escola) e o dono foi “gente boa”, desejou que tudo desse certo, mas falou: “se der errado vocês tem que sair.” Provamos para ele, gente conseguimos pagar nossas próprias contas! No início foi muito complicado, até dentro de casa, onde muitas vezes faltou o apoio da família.

IMIL: Em algum momento ficaram desmotivados? Pensaram em desistir?

Motta: A gente nunca falou um para o outro “vamos desistir?”, mas pela minha cabeça a vontade de desistir já passou sim, e sei que na dela também. Muitas pessoas viam a dança apenas como diversão e se esqueciam que aquilo era nosso trabalho. Tinha gente que faltava um mês e não queria pagar, mas eu estava ali para dar aula. Final do ano era horrível, todo mundo viajava e ficávamos na mão. Começamos a formular regras a serem cumpridas e organizamos nosso local de trabalho. Como conseqüência, os alunos começaram a perceber a seriedade de nosso trabalho.

IMIL: Agora que vocês se estabeleceram e já estão com uma segunda academia, ainda enfrentam grandes dificuldades para empreender?

Muito menos agora, temos provas concretas do nosso trabalho. Agora como proprietários da escola de dança as portas se abrem. Fica muito mais fácil. As pessoas nos enxergam com outros olhos, mas ainda há sim algumas complicações. Estamos fazendo publicidade massiva para prosperarmos em nossos negócios.

É o sonho de muitos sair do emprego e tornar-se um empreendedor. É fácil ser seu próprio patrão?

Motta: Depende. Pra mim é a melhor coisa do mundo, mas, se eu não trabalhar, eu não ganho. Sou autônomo. O negócio é traçar objetivos e metas, sempre com muito foco. Tem que ter uma cabeça no lugar. Se você não ganhar, você não come. Além disso, investimentos são constantemente necessários. O dinheiro entra e você tem que ter cabeça para gastos adequados. Não adianta comprar o carro do ano. Eu podia comprar um carro zero agora, mas ainda estou com meu fusquinha. Em compensação, acabo de abrir minha segunda academia de dança. Pra mim é fácil, pra outros pode ser mais complicado.

IMIL: Você conhece jovens que tentaram um empreendimento próprio e não conseguiram levar a diante?

Motta: Conheci. Muitas pessoas não têm a cabeça pronta pra ser um empreendedor. Entra o dinheiro e os gastos com supérfluos são exagerados, não fazem investimentos, não traçam metas. Eu e Joana quando começamos a ganhar dinheiro, fizemos diversas reformas na sala que alugamos e investimos em infraestrutura para os alunos estarem bem acomodados em nossa academia. Compramos um equipamento de som de primeira, e com isso passamos a alugar o espaço para alunos que queriam fazer festas. Não é difícil, mas tem que ter visão. Tenho amigos meus que são professores de dança até hoje, mas não conseguem ter um espaço próprio. Muita gente desse meio da dança acaba “dançando”. Você ter que ser inteligente.

IMIL: Qual a dica que você daria para um jovem, que como vocês, tem o desejo de abrir um negócio próprio?

Motta: Primeiro, não se pode parar de estudar. Seja lá qual for seu ramo, o estudo é essencial. Matemática ajuda bastante, no nosso caso, administração ajudou muito. Segundo: talento. Acredito que talento é sim necessário. Por último, não se deve desistir. As dificuldades vão vir, e elas são muitas, mas não se pode deixar levar.

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1 comment

  1. bernardo

    bela reportagem!!!1