Calazans

José Calazans, analista de mercado da Nielsen Ibope

Mais de 120 milhões de brasileiros acessam a internet no Brasil, 51 milhões têm smartphones conectados e 47,7 utilizam as redes sociais todos os meses. Os dados da pesquisa NetView e Mobile Report da Nielsen Ibope revelam a forte presença da internet na vida dos brasileiros. Mas será que tamanho interesse pela rede causa algum impacto sobre as eleições? Para entender melhor a influência da internet na decisão dos eleitores, o Instituto Millenium entrevistou José Calazans, analista de mercado da Nielsen Ibope.

Segundo Calazans, o uso da internet em campanhas eleitorais está crescendo em todos os países, embora a rede não tenha influência direta no resultado das eleições. “A massa da audiência não procura os sites de partidos com a mesma frequência que procura redes sociais, buscadores, sites de compras etc”, explica ele.

Ainda assim, percebe-se um aumento da procura pelo site do Tribunal Superior Eleitoral, principalmente no dia da votação. “A cada dois anos, notamos um aumento dos acessos à página do TSE entre outubro e novembro”, diz Calazans.

Para ele, a grande contribuição da internet para o debate eleitoral está na disseminação das informações e na possibilidade de interação entre os usuários. “A internet promove a democratização da informação porque as pessoas participam da produção das informações”, afirma, acrescentando que a transparência das informações é uma das bases das democracias ocidentais. “Outra base é o direito de opinião. A internet é apenas mais um meio para a circulação de informação e o debate de ideias”, diz. Leia a entrevista:

Instituto Millenium: De que maneira a internet impacta na questão política e eleitoral?

José Calazans: Assim como os outros meios de comunicação, a internet tem impacto na disseminação de informação. Cada vez mais pessoas têm acesso às informações. Outra vantagem da internet é a possibilidade de interação dos usuários. A internet promove a democratização da informação porque as pessoas participam da produção das informações.

Imil: Em contrapartida, a internet também facilita a disseminação de calúnias, ofensas e trocas de acusações entre os candidatos. Como o senhor avalia esse aspecto?

Calazans: A internet é diferente justamente porque as pessoas se sentem mais à vontade para comentar, criticar e expressar opiniões que talvez elas não dissessem em outro meio. É claro que todas as declarações são passíveis de críticas e investigações, tanto por parte da opinião pública como através dos meios legais. Esse é um aprendizado que está surgindo com a disseminação do uso da internet. É uma mídia que estamos aprendendo a utilizar aos poucos. Mas não deixa de ser uma abertura maior para a democratização da informação.

Imil: Por que ainda não existem muitas pesquisas sobre a influência da internet nas eleições?

Calazans: Na verdade, o maior interesse dos usuários de internet é o entretenimento. A massa da audiência não procura os sites de partidos com a mesma frequência que procura redes sociais, buscadores, sites de compras etc. O que a gente tem é a procura pelos resultados das eleições. Há um grande crescimento das visitas no site do Tribunal Superior Eleitoral, onde são publicados os resultados eleitorais, no dia da votação. Isso é cíclico. A cada dois anos, notamos um aumento dos acessos à página do TSE entre outubro e novembro. No entanto, na parte da política mais especificamente não há o mesmo interesse. Nem mesmo nos EUA, em 2007 e 2008, ou até recentemente, na reeleição do Barack Obama, os sites dos partidos experimentaram um grande crescimento no número de visitações.

Imil: As pessoas estão dominando melhor as ferramentas oferecidas pela rede?

Calazans: No início da década de 1990, as pessoas que tinham acesso à internet faziam parte de um grupo privilegiado, com maior renda e maior escolaridade. No ano 2000, cerca de 10 milhões de brasileiros já tinham internet em casa. Eram números pequenos comparados aos de hoje. Temos dez vezes mais do que isso. Esse crescimento veio do interesse pelo que a internet oferece para a vida das pessoas. Isso é um ganho para a sociedade. É claro que algumas pessoas passam dos limites, assim como passam dos limites em outras situações. Existem várias formas de utilização da internet. Temos as redes sociais, o e-commerce já consolidado, os meios de comunicação etc.

Imil: Em outros países, como nos EUA, o uso da internet em campanhas eleitorais já está bem consolidado. Na eleição do Barack Obama, a rede foi utilizada intensamente. Em comparação com outros países, o Brasil ainda precisa aprimorar a experiência eleitoral pela internet?

Calazans: O uso da internet em campanhas eleitorais está crescendo em todos os países. Na eleição de Barack Obama talvez ela não tenha sido tão importante como dizem. O acesso à informação é maior nos países que têm mais acesso a internet, como os EUA. Então, uma democracia como a norte-americana acaba aproveitando melhor as vantagens da internet, como a disseminação das informações, devido à penetração maior da rede naquele país. Mas já foi constatado que a internet não tem uma influência tão direta e específica sobre o resultado das eleições. Imaginamos que com o aumento do acesso da internet, o Brasil ampliará o aproveitamento também não só na questão das eleições, mas em outros contextos sociais.

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