“Não renunciar vai levar a economia para o buraco”, diz Monica de Bolle

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Para pesquisadora, Brasil caminha para virar uma Venezuela; ela defende que investigados pela Lava Jato sejam retirados da linha sucessória

Para a economista Monica de Bolle, pesquisadora do Instituto Peterson de Economia Internacional, o presidente Michel Temer cometeu um erro ao insistir em permanecer no governo e a retomada da economia não é uma justificativa para segurá-lo. “Ele vai levar a economia para o buraco”, diz Monica.

Na avaliação da especialista, não apenas Temer tem de sair. É preciso também tirar da linha sucessória e do governo todos que sejam investigados na Lava Jato ou paire algum risco de envolvimento.

“O país precisa purgar isso. Na perspectiva de corrosão institucional, se ficar como está, o Brasil caminha para virar uma Venezuela”, diz ela. A seguir trechos da entrevista que concedeu ao “Estado”.

Estadão – Temer decidiu não renunciar. Qual o cenário?
Monica de Bolle – O Temer deveria ter a hombridade de renunciar. Se ele quer se mostrar tão diferente da Dilma, se quer entrar para a história com alguma dignidade, ele tem que renunciar. Ele tem que fazer o que ela não fez. Não pode ficar nesse jogo de tentar acobertar, de dizer que é tudo mentira. Chega. Ninguém aguenta mais ouvir isso. Insistir é um erro. Precisamos purgar isso. Na perspectiva de corrosão institucional, se ficar como está, o Brasil caminha para virar uma Venezuela.

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Estadão – Temer argumentou que a economia estava se recuperando, as reformas caminhando e se sair, compromete a perspectiva dessa melhora.
Monica de Bolle – A economia não pode ser a desculpa para ficar. O dano que essa gente provocou para o país não justifica fechar os olhos para isso. O que está em jogo aqui é o futuro institucional do Brasil. Isso é mais importante que a economia neste momento. Além do mais, não vai vir alívio para a economia com o governo podre. Ele vai levar a economia para o buraco – para o buraco. Não tem saída nessa situação, entendeu? Não tem solução de canto. Ou a gente faz uma mudança de rumo agora ou perde a perspectiva de um futuro melhor. Temer não é ponte para o futuro. Temer é ponte para o passado. É um cara da República Velha. Da república corrupta. Não é o cara que vai fazer reformas.

Estadão – Na linha sucessória está Rodrigo Maia, presidente da Câmara, outro investigado na Lava Jato, que vai convocar eleição indireta. Encarar esse rito não daria no mesmo a essa altura?
Monica de Bolle – Não pode ser Maia. Tira Rodrigo Maia. Tira da linha sucessória todo mundo que tem implicação na Lava Jato. Tira do governo. Não pode ficar ninguém sobre o qual recaia alguma possível suspeita. Agora também não temos ambiente político, nem candidatos para fazer eleição indireta ou direta. Precisamos de tempo para uma transição em que possamos ajustar a economia e a política. Tem gente de bem no Brasil. Tem gente que pensa. Essas pessoas precisam se juntar. A travessia para 2018 é: coloca a ministra Carmem Lúcia (presidente do Supremo Tribunal Federal). Faz um pacto nacional com gente de bem. Eles precisam se aglutinar. Se unir. E precisa fazer uma limpeza geral no governo. Tira todo mundo que tem implicação na Lava Jato. Aí vamos ver o que acontece na eleição lá na frente. A república velha, corrupta, ruiu. Acabou.

Fonte: “O Estado de S. Paulo”

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