Domingo, 4 de dezembro de 2016
Mantenedores mantenedores

Para a pesquisadora Monica de Bolle, governo está contra a parede

Monica de Bolle, pesquisadora do Instituto Peterson de Economia Internacional diz que, se o governo insistir no caminho de gastar mais, o país sofrerá uma crise severa

O governo está mudando a política econômica?

É um outro tipo de política. É um governo que está sob pressão enorme com risco de cair. Nessa situação, os seus compromissos com o médio prazo vão embora. Na verdade, o governo nunca teve convicção do ajuste fiscal. Além de tudo, está contra a parede e pode estar com os dias de contados. É quase que óbvio o que faz no momento desses. Já perdeu o grau de investimento, já sofreu com perda de grau.

Quais as consequências dessa liberação de recursos?

Se não houver impeachment, vai haver uma completa mudança de política. Há falta de entendimento do que aconteceu este ano. Culpam o ajuste fiscal de Levy pela recessão, quando o ajuste sequer aconteceu. E o governo está inclinado a acreditar nisso por princípio. Tende a gastar mais para reerguer a economia na marra.

Como fica a situação fiscal?

A situação fiscal já é suficientemente dramática. Há um medo que não é só do mercado, é dos empresários, do consumidor, a respeito da forma como esse governo vem conduzindo a política econômica. Nenhuma medida muda esse quadro. Além disso, não há espaço fiscal.

As medidas não vão fazer efeito?

Isso é só uma tentativa desesperada de mudar os rumos da economia na marra. Virá crise severa se insistir nesse caminho.

Tem que insistir no ajuste fiscal?

Se não for feito, a crise se alastra. Em 2018, o cenário será de terra arrasada e terá que se fazer o trabalho que devia ter sido feito nos últimos três anos, postergando muito a melhora da economia. Nesse cenário, pode esquecer o investimento em educação e saúde. Essa é a parte trágica dessa história.

Fonte: O Globo.

Escreva um comentário

Seu e-mail não será publicado.