A “menina do Vale” Bel Pesce, empresária de sucesso nos EUA, conta como quer ajudar a difundir a cultura do empreendedorismo no Brasil

A empreendedora Bel Pesce é um sucesso de público

Em apenas três meses, 700.000 pessoas fizeram o download do livro “A Menina do Vale“, da empreendedora brasileira Bel Pesce, 24 anos, sócia da Lemon, empresa americana nascente que faz um aplicativo para celular que ajuda as pessoas a administrar suas finanças pessoais. Bel reuniu parte de suas experiências no livro eletrônico  disponível gratuitamente na internet.

Na entrevista à revista “Exame” ela fala sobre a repercussão do livro  e sobre como quer ajudar a disseminar a cultura do empreendedorismo no país.

EXAME – Como surgiu a ideia de escrever o livro?
Pesce – Eu queria contar um pouco da minha história e do que aprendi nos Estados Unidos, primeiro trabalhando em empresas como Microsoft e Google e hoje como em­preendedora. Minha intenção era falar sobre temas que considero essenciais para quem está à frente de uma empresa, como a importância de formar bons times e o poder existente numa boa rede de contatos.

EXAME – Como você foi parar no Vale do Silício?
Pesce – Vim para os Estados Unidos em 2006 para estudar no Massachusetts Ins­titute of Technology (MIT). Depois, trabalhei em empresas de tecnolo­gia no Vale do Silício, na Califórnia, berço de grandes companhias como Facebook e Google. Mais recentemente, conheci dois empreendedores latino-americanos e me juntei a eles para começar a Lemon, cujo principal negócio é um aplicativo para ajudar as pessoas a organizar suas finanças. O que é mágico no Vale do Silício é a proximidade entre investidores e empreendedores.

Existem também muitas histórias inspiradoras nas quais se espelhar — o que é excelente para perder o medo de assumir riscos e empreender.

EXAME – O que os brasileiros podem aprender com os americanos?
Pesce – Aprendi com os americanos que um empreendedor não pode ter medo de errar. Pelo contrário, é preciso reconhecer os erros e aprender com eles para melhorar e seguir adiante. Os investidores sabem disso. Antes de pôr dinheiro num negócio, eles procuram saber se o empreendedor e as pessoas que o cercam têm condições de tirar suas ideias do papel.

Uma boa ideia executada por gente ruim pode não dar em nada, mas uma má ideia nas mãos de bons profissionais sempre vai ser um ponto de partida para alguma coisa nova e melhor — pessoas inteligentes no mínimo vão chegar rapidamente à conclusão de que é preciso descartar um projeto mal concebido e partir logo para outro.

EXAME  – Boa parte do livro fala sobre as habilidades que um empreendedor precisa ter. Existe a história de que a pessoa nasce com o dom de empreender?
Pesce – Qualquer um é capaz de aprender o que é necessário para ser dono do próprio negócio. Minha ideia foi reunir algumas das lições mais importantes que alguém um dia me ensinou. Propositalmente, escrevi numa linguagem muito simples e direta.

Meu objetivo era me comunicar com pessoas que ainda estão pensando em abrir uma empresa ou que nunca pensaram que empreender fosse uma opção. Isso é algo importante para o momento que o Brasil vive. Vejo muita gente querendo empreender no país. No futuro, talvez escreva algo para quem já tem o próprio negócio.

EXAME –  Quando você descobriu que podia ser empreendedora?
Bel Pesce – Desde criança, sempre amei criar coisas. Gostava de montar e desmontar tudo. Criava bijuterias para vender. Aos 10 anos, andava com uma pastinha com ideias para jogos de videogame. Imaginava que encontraria alguém para me ajudar a tirar as ideias do papel.

Mas só pensei em me tornar empreendedora ao vir estudar nos Estados Unidos e encontrar uma cultura muito forte de empreendedorismo — até então, eu mal conhecia o significado dessa palavra.

EXAME – Houve alguma estratégia de divulgação?
Pesce – Não houve uma estratégia propriamente dita. Aconteceu. Um dos impulsos para a divulgação do livro veio do Flávio Augusto, dono da rede de escolas de idiomas Wise Up. Ele trabalha um bocado para divulgar o empreendedorismo no Brasil e mantém uma comunidade na internet chamada Geração de Valor — há uma página no Facebook, um perfil no Twitter com mais de 300 000 seguidores e um canal de vídeos no YouTube dedicados ao assunto.

Além da Wise Up, Augusto é dono de uma agência de publicidade e se ofereceu para me ajudar com o projeto gráfico do livro. O trabalho acabou se transformando num projeto muito maior, e a mesma agência produziu o site do livro na internet. Quando o trabalho finalmente ficou pronto, Augusto fez um vídeo sobre o livro e o divulgou para seus contatos nas redes sociais.

EXAME – Você esperava atrair tantos leitores ao abordar um tema como esse?
Pesce – Foi uma surpresa para mim tanta gente se interessar pelo livro. As redes sociais ajudaram a encontrar meu público. A maioria das cópias foi baixada da internet por pessoas que chegaram ao livro pelo Facebook. Muita gente o baixou, leu e compartilhou o link com seus contatos, o que ajudou a atrair ainda mais leitores.

EXAME PME – Em algum momento você pensou em ganhar dinheiro com o livro?
Pesce – Não. Desde o início desejei que o livro ficasse disponível gratuitamente na internet. Foi um projeto feito nas minhas horas vagas com muito carinho, sem fins lucrativos. Há pouco mais de um mês, fechei contrato com uma editora, e agora uma versão impressa já está chegando às livrarias.

Busquei parcerias para ajudar a custear a impressão e deixar o livro o mais barato possível, para que muitas pessoas pudessem comprá-lo. Quero contribuir como puder para disseminar entre os brasileiros a ideia de que empreender pode ser uma boa opção de carreira, assim como outra profissão qualquer.

EXAME  – E que tipo de retorno você tem recebido dos leitores?
Pesce – Recebi uma quantidade absurda de e-mails. Nem estou conseguindo responder a todos. Uma das mensagens  que mais gostei veio de um menino de 8 anos. Meu livro foi, segundo ele, o primeiro que leu sem que os pais mandassem — não sei como o garoto o achou na internet e por que se interessou pelo tema.

Também recebi e-mails de um homem que contou que imprimiu cópias para seus filhos e netos. Achei interessante, porque eu acreditava atrair um público bem mais jovem. Recebi muitas mensagens de médicos e profissionais liberais dizendo que o livro abriu seus olhos sobre como deveriam administrar seus consultórios e escritórios.

EXAME – Você pensa em abrir algum negócio no Brasil?
Pesce – Claro! Já tenho alguns projetos engatilhados, mas ainda não é o melhor momento para falar deles.

 

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