Em “India grows at night: A liberal case for a strong state”, Gurcharan Das procura explicar os diversos motivos porque depois de 65 anos de uma democracia liberal só agora o país está começando a emergir. E isso está demorando muito para acontecer na Índia, mesmo possuindo uma excelente herança deixada pelos colonizadores britânicos, apesar, também, de todas as “maldades” que cometeram no país. Os britânicos criaram instituições como as cortes e um sistema eleitoral, e alguns marajás mais progressistas, já no século XIX, introduziram a educação pública, permitindo que as meninas também estudassem…

Tudo isso e muitas outras realizações permitiram ao líder dalit (a casta dos intocáveis ou impuros) B. R. Ambedkar elaborar uma moderna constituição, a qual garantiu para os indianos muitas liberdades que não existem nem nos países ocidentais. Por exemplo, na Índia, garante-se cem dias de pagamento para as famílias rurais, como auxílio para a sua subsistência (uma regra que deixa os governantes da gigantesca e poderosa vizinha, a China, extremamente preocupados, pois lá pode também surgir um movimento com a gente do campo exigindo os mesmos benefícios…)

Entre as causas que atrapalham o progresso da Índia, Gucharan Das aponta a excessiva burocracia governamental e a grande corrupção que se desenvolveu para se poder agilizar algumas ações dos governantes… Mesmo assim, em 2012, existe, segundo Gurcharam Das, uma classe média no país constituída por 350 milhões de pessoas, que deve ser 650 milhões daqui a uma década.

Tudo indica que o atual primeiro-ministro Manmohan Singh – um liberal clássico – e os que colaboram com ele para dirigir a Índia, apesar de, em certos momentos, o seu governo mostrar uma certa fraqueza de liderança, irá conduzir os indianos para patamares de qualidade de vida e bem-estar cada vez maior.

Isso deve ser levado em conta pelos governantes do Brasil, para que se inspirem um pouco na forma como as autoridades da Índia estão resolvendo os problemas da sua população carente, que é muito maior que a nossa…

Fonte: FAAP

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