“O Sonho de Celta” (Alfaguara, 2011), de Mario Vargas Llosa”, apesar de revestido pelo gênero de “romance histórico”, traz em sua essência os principais preceitos humanistas do escritor peruano. O livro acompanha uma figura real, Roger Casement (1864-1916), poeta e revolucionário nacionalista irlandês que, como cônsul do Reino Unido, atuou em diversos países africanos onde, especialmente no Congo belga (à época governado pelo rei Leopoldo II), revoltou-se com o abuso dos direitos humanos contra os nativos. Casement também trabalhou como diplomata em Santos, Pará e Rio de Janeiro, e ainda na bacia de Putumayo, no Peru, onde novamente denunciou a violência praticada por empresas de extração de borracha. Ao relatar tais irregularidades, ele passou a valorizar a liberdade e, por conta dessa crença, voltou-se contra seu próprio governo, apoiando a independência da Irlanda.

O livro fala essencialmente sobre coragem e superação. Também sobre como “certas circunstâncias desumanizam os homens até transformá-los em monstros”, como afirma o escritor. E, a partir das atitudes ufanistas de Casement, Llosa aproveita para também tratar dos dois lados da moeda do nacionalismo, seja a face mais terrível (a que leva o subjugo), seja benéfica (que incita movimentos separatistas).

Fonte: O Globo

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