Inovação não traz, necessariamente, sucesso econômico

Jose Carlos Cavalcanti

Por que algumas empresas têm sucesso na incerteza, mesmo no caos, e outras não?  Esta é a questão central que permeia o novo livro de Jim Collins, um dos maiores gurus de negócios do mundo na atualidade (em co-autoria com Morten T. Hansen), intitulado “Great by choice” (algo como “Grande por escolha”), publicado em 2011, pela Harper Collins Publishers (ainda sem tradução para o português, pelo que sabemos).

Baseado em nove anos de pesquisa, fundamentado em rigorosa análise e preenchido com estórias envolventes, Collins e seu colega enumeraram os princípios para a construção de uma verdadeira grande empresa em tempos imprevisíveis, tumultuados e que se movem rapidamente.

“Grande por escolha” se distingue de outros trabalhos anteriores (como, por exemplo, os best-sellers “Good to great” (De bom para grande) e “Built to last” (Construída para crescer), que venderam milhões de cópias internacionalmente, pelo seu foco não somente em desempenho, mas também no tipo de ambientes instáveis que os líderes empresariais enfrentam hoje.

Com um time de mais de vinte pesquisadores, Collins e Hansen estudaram empresas que alcançaram grandiosidade – batendo os índices de suas indústrias por um mínimo de dez vezes ao longo de quinze anos – em ambientes caracterizados por grandes forças e rápidas mudanças que os líderes não previram ou puderam controlar.  O time de pesquisa então contrastou o que eles chamaram de “10X companies” (algo como Empresas 10X) com um cuidadosamente selecionado conjunto comparativo de empresas que falharam em atingir grandiosidade em semelhantes ambientes extremos.

Os resultados do estudo se mostraram repletos de surpresas provocativas, tais como:

• Em termos comparativos, os melhores líderes empresariais não foram os que mais arriscaram, os mais visionários, e os mais criativos; eles foram os mais disciplinados, os mais empíricos, e os mais paranóicos;

• Inovação por si só não se tornou um recurso chave em um mundo caótico e incerto; mais importante é a habilidade de escalar a inovação, fundindo criatividade com disciplina;

• Seguir a crença de que liderar em um “mundo rápido” sempre requer “rápidas decisões” e “ações rápidas” é um bom modo de ser morto;

• As grandes empresas mudaram menos em reação a um mundo rapidamente mutante do que as empresas comparadas.

O livro desafia a sabedoria convencional com alguns conceitos provocativos, e, ao seu final, apresenta uma análise original: define, quantifica e estuda o papel da Sorte.  Para os autores, as grandes empresas e os líderes que as edificaram não foram mais sortudos do que seus competidores, mas eles obtiveram um maior “Return on Luck” (Retorno sobre a sorte).

Eis aí um grande livro com uma mensagem provocativa, principalmente nos dias incertos e inseguros de hoje, onde o conceito de inovação vem assumindo ares de “panaceia” (remédio contra todos os males empresariais), marcadamente nas hostes das empresas startups, nas agências de fomento, ou mesmo entre investidores.

 

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