Tatiana Mattar sobre o “III Fórum Liberdade e Democracia”: “A cada ano a gente nota que a população está mais consciente da importância da liberdade para o Brasil”

Criado em 1988 pelo Instituto de Estudos Empresariais (IEE) de Porto Alegre, o “Fórum Liberdade e Democracia” chega a sua terceira edição em Belo Horizonte. Organizado pelo Instituto de Formação de Líderes (IFL), o evento deste ano terá o tema “Liberdade: a chave para o Desenvolvimento!” e acontece no próximo dia 3 de setembro, no Palácio das Artes, em BH.

O Instituto Millenium conversou com a diretora de eventos do IFL e trainee da empresa Localiza, a administradora Tatiana Mattar para conhecer melhor a proposta desta edição.

Instituto Millenium: O que motivou a criação do “Fórum da Liberdade e Democracia” de Belo Horizonte?
Tatiana Mattar:
O Fórum existe desde 1988 e foi iniciado pelo Instituto de Estudos Empresariais (IEE) de Porto Alegre. Em 2010, o IFL decidiu abrir o fórum aqui em Minas Gerais. Nosso primeiro fórum, organizado pela presidente Silvia Araujo, teve o tema “Os valores da liberdade”, lotamos o hotel Mercure e entregamos o Prêmio Liberdade ao empresário Roberto Civita.

Em 2011, decidimos aumentar o evento  porque tivemos um retorno muito positivo da sociedade no ano anterior. O fórum foi transferido, com muito sucesso, para o Palácio das Artes, tivemos mais de 1.700 pessoas. Naquele ano, o tema foi “País rico e País com Liberdade” e o vencedor do Prêmio Liberdade foi o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Tivemos a presença de Henrique Meirelles, Hélio Beltrão e Rodrigo Constantino, entre outras personalidades. Nesta edição, esperamos receber um público superior a 2 mil pessoas. A cada ano a gente nota que a população está mais consciente da importância da liberdade para o Brasil.

Se o governo exige que as empresas deixem claro onde investiram, porque não exigir isso do governo?

Imil: Como você analisa a situação das instituições democráticas no Brasil?
Tatiana Mattar:
O Brasil vive hoje uma democracia plena, mas como em todas as democracias temos virtudes e problemas. Temos entidades democráticas, mas elas são um pouco deturpadas.Vemos muitos casos de corrupção, gastos excessivos e a ineficiência do governo em prestar serviços dignos para a sociedade. A maioria dos políticos que fazem parte das instituições democráticas estão mais preocupados consigo mesmo do que com a nação como um todo. Essas instituições têm muito o que melhorar e muito o que caminhar em prol da liberdade e por um Brasil menos corrupto.

Imil: Recentemente foi criada a Lei de Acesso à Informação, um importante instrumento para a fiscalização da administração pública no Brasil. Qual é a contribuição desse tipo de iniciativa para o fortalecimento da democracia no país?
Tatiana Mattar:
A Leia de Acesso à Informação é um grande avanço para a democracia brasileira. O que me impressiona é por que ela não foi criada antes, porque esse era um desejo dos cidadãos, dos contribuintes. É um dever do governo prestar contas para a sociedade. Se o governo exige que as empresas deixem claro onde investiram, porque não exigir isso do governo? Por que o governo não pode ser tratado como uma empresa? Isso ajudaria a melhorar o problema da corrupção, dos gastos excessivos. Com um controle maior vamos chegar a uma gestão pública muito mais eficiente e mais transparente. E com a sociedade mais presente na gestão pública a pressão sobre os políticos será maior. A voz as sociedade será ouvida.

Imil: As palestras do Fórum da Liberdade e Democracia de BH abordarão temas econômicos como a desindustrialização e o custo Brasil. Como você vê os avanços e retrocessos da liberdade econômica no país?
Tatiana Mattar:
A gente achou que o tema do painel sobre a desindustrialização e o custo Brasil seria super pertinente na situação que estamos vivendo, com a expectativa de um crescimento do PIB abaixo de 2% no final desse ano. O que a gente quer discutir é se existe mesmo a desindustrialização ou se os cargos excessivos, a alta carga tributária e as leis trabalhistas estão influenciando nessa desindustrialização. Vemos que o Brasil está caminhando devagarzinho para uma democracia mais justa e uma liberdade econômica melhor, mas ainda temos muito que caminhar.

Ao mesmo tempo em que vemos medidas como a Lei de Acesso à Informação, estamos na 99ª posição no índice de liberdade econômica entre os 179 países analisados pelo Heritage Foundation. Estamos atrás de países como a Colômbia, a Sérvia e o Líbano. Temas como esses são pertinentes para instigar a população a pensar mais  sobre a liberdade econômica, que infelizmente não é um tema muito debatido no Brasil.

Imil: Qual a contribuição do fórum para o engajamento dos eleitores nas eleições municipais de 2012?
Tatiana Mattar:
As pesquisas apontam que os brasileiros esquecem facilmente quem são os candidatos. Estamos confiantes que o fórum ajudará a melhorar o engajamento da sociedade dentro da política brasileira. Infelizmente ainda temos um retrocesso na participação da sociedade no governo.

Imil: Qual o objetivo do Fórum da Liberdade e Democracia de BH, quais as expectativas dos organizadores em relação aos resultados desse evento?
Tatiana Mattar:
O principal objetivo do fórum é promover e discutir ideias, essa com certeza é a nossa maior preocupação. É uma oportunidade para analisar a situação política, econômica e social não só do Brasil, mas do mundo inteiro. Nós do Instituto de Formação de Líderes temos uma grande esperança na disseminação das ideias que são discutidas nesse fórum. A gente acha que cada cidadão pode fazer sua parte na sociedade e transformar o país. Esperamos que os participantes coloquem em prática tudo aquilo que for debatido, comecem a questionar o governo e participar mais da política, contribuindo para um Brasil melhor.

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1 comment

  1. J. Saint

    Ha uma mentalidade de ‘moral hazzard’ na industria financeira que investidores pensam que podem sobreestenderem seus riscos pois tem o governo para lhes resgatar. Mas eh o politico ajudando o bancario, o rico ajudando o rico, para o detrimento do resto da populacao. E se esse mentalidade nao for mudado, um colapso economico global ou revolta civil pode ser eminente.

    Observa que a economia global continua anemica, mesmo com gastos publicos dos governos altos, e os bancos centrais mantendo juros esensialmente ‘zero.’ E os BC so consiguirao continuar imprimindo dinheiro (quantitavie easing=eufaismo rsrs) por nao muito mais tempo.

    A verdade que o capitalismo atual nao eh um capitalismo verdadeiro, por causa da corrupcao, nepotismo, etc. e essa recessao que nunca acaba eh soh o resultado disso…