“No mercado de capitais, o erro principal é querer dinheiro para amanhã”

Israel Lucas Góis, sócio da Equity Brazil Capital, dá orientações para quem pretende investir na bolsa de valores

Jovens com idades entre 15 e 30 anos totalizam cerca de 5% dos investidores no mercado de capitais, segundo dados da BM&FBovespa divulgados em agosto de 2017. O crescente interesse em empreender na bolsa de valores, contudo, vem acompanhado de alguns riscos em função da falta de conhecimento acerca da dinâmica do mercado.

De acordo com Israel Lucas Góis, sócio da Equity Brazil Capital, fundo familiar de private equity que presta assessoria tanto a empresários brasileiros quanto a investidores estrangeiros, o principal equívoco cometido por quem decide investir no mercado de capitais é esperar um retorno expressivo em pouco tempo, já que a bolsa de valores é um investimento de longo prazo. Em menos de um ano em sua experiência como trader (profissional que investe no mercado financeiro com o objetivo de ganhar dinheiro em operações de curto prazo), Israel perdeu tudo o que havia ganho, mas viu uma oportunidade de se reerguer ao receber a notícia de que um de seus amigos pretendia vender sua empresa.

“Eu falei: ‘Vamos fazer o seguinte: vou assessorar a sua empresa e, assim que vendê-la, eu pego esse dinheiro e vou para a bolsa de novo tentar me recuperar’. E em 7 meses eu consegui um investidor americano, ele veio para o Brasil e comprou participação na empresa. Ele me abriu muito os olhos porque sofreu do mesmo problema: perdeu muito capital na bolsa americana. Ele me disse que o segredo não está na bolsa — o dinheiro está na economia real. A bolsa nada mais é que o fim de um ciclo grandioso. Hoje a gente pega as empresas em fase relativamente nascente para estruturar e levá-las para a bolsa. Lá começa outro ciclo”. E foi assim, segundo ele, que surgiu a Equity Brazil Capital.

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O investidor conta também sobre as dificuldades enfrentadas pelos empresários estrangeiros ao apostarem no mercado brasileiro, sendo a burocracia a principal delas. “Quando eles vêm investir no Brasil, não sabem o tanto de normas para se investir no mercado de capitais”. E dá dicas para os interessados em investir na bolsa no futuro: “A minha orientação para quem pretende investir na bolsa é investir no longo prazo, pegar empresas que têm potencial de retorno, não aquelas que todo mundo compra, como Petrobrás e Vale. Você tem que olhar para as outras empresas e achar um ponto de equilíbrio. Hoje, há entre 400 e 420 empresas listadas no mercado de capitais. Você tem bilhões de empresas no Brasil inteiro muito melhores do que as que estão na bolsa. Por isso que muitos investidores buscam a economia real. Seu potencial de ganho é muito maior.” Ouça!

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