“O processo político-eleitoral está muito concentrado nos partidos”

Cientista político avalia cenário para as próximas eleições diante da crise de representatividade. Ouça a entrevista!

Em meio a um cenário marcado por recessão econômica e instabilidade institucional, a corrida eleitoral de 2018 no Brasil parece cada vez mais indefinida. O que se pode esperar para o futuro de um país onde mais de 90% da população não se sente representada pelos candidatos que elegeu e que estão no poder? Segundo o cientista político Bolívar Lamounier, sócio-diretor da Augurium Consultoria e especialista do Instituto Millenium, essa falta de opções de novas lideranças na política se deve ao fato de que o processo político-eleitoral tem se concentrado nos partidos, que ainda apresentam uma estrutura oligarquizada, pouco permeável à ascensão de novos nomes. “Já estamos em outubro, é difícil que daqui até ano que vem surja alguém de fora a ponto de ser competitivo para a eleição.”

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Lamounier não acredita que movimentos da sociedade civil derivados das manifestações de junho de 2013 sirvam de plataforma para que novos líderes possam se lançar à disputa eleitoral do ano que vem. “É possível que a médio prazo, em 2020, esses grupos se transformem em partidos. Por enquanto, acho que eles fazem manifestações e em seguida se dispersam. É difícil vê-los mais compactados nesse período”. Ele acrescenta ainda que as eleições de 2018 devem ser mais pulverizadas do que polarizadas, uma vez que o clima de intensa polarização observado nas últimas eleições tem apresentado sinais de desgaste. “Tenho a impressão de que a maioria das pessoas está procurando um clima mais moderado para essa eleição, logo, um candidato moderado, de centro, que apresente uma plataforma consistente, terá melhores chances”.

A respeito das chances de Luiz Inácio Lula da Silva concorrer às eleições no próximo ano, o cientista político diz que, num improvável cenário onde o ex-presidente – condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro – consiga autorização para pleitear votos, é mais provável que ele se candidate a uma vaga na Câmara com o objetivo de preservar “uma boa bancada”. Ouça!

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