Privatizações representam mudança cultural importante

Economista e cientista político analisa anúncio do pacote com 57 novas privatizações

Na tentativa de equilibrar as contas públicas, o governo anunciou um pacote com 57 novas privatizações que farão parte do Programa de Parceria de Investimentos (PPI). Na lista de ativos que serão desestatizados, estão blocos de linhas de transmissão de energia elétrica, aeroportos, terminais portuários, além de empresas públicas e rodovias. O destaque são para Congonhas, segundo maior terminal brasileiro, e a Casa da Moeda, responsável pela confecção de notas de real e passaporte, além da venda da participação da Infraero em alguns empreendimentos já concedidos ao setor privado, como Confins e Galeão.

Para o economista e cientista político Marcos Troyjo, especialista do Instituto Millenium, a privatização traz um aumento geral no nível de eficiência e produtividade da economia, já que o setor privado é reconhecidamente mais eficiente do que o estatal, afirma:

“Durante muito tempo, prevaleceu no Brasil uma mentalidade estatista, e essa questão da privatização reverte a balança em favor da ideia de que a sociedade precisa ter mais autonomia e diminuir o papel do Estado na economia. É uma mudança cultural importante para o país. Essa notícia é extraordinariamente bem-vinda, sobretudo nesta fase em que precisamos diminuir a carga tributária e deixar mais recursos no bolso do cidadão e das empresas, para que elas possam investir”.

Veja mais:
Adriano Pires explica modelo da privatização da Eletrobras

Entre os benefícios para as companhias que passam a ser controladas pelo setor privado, Troyjo cita mais investimentos e tecnologias, atração de pessoal capacitado e o prevalecimento de critérios técnicos e administrativos em relação a decisões de interesse político, além da ética da eficiência e do mérito. “Outra questão a ser observada atualmente é que o Estado deixa de se concentrar em áreas em que sua presença é fundamental, como educação básica, saúde, defesa nacional e relações exteriores, e acaba focando em setores que a iniciativa privada tem uma contribuição mais importante a fazer, gerando benefícios, eficiência e, consequentemente, aumentando o PIB brasileiro e a arrecadação, o que representa mais recursos em mãos para o governo direcionar a esferas que são de necessidade da população”, finaliza Troyjo.

Não caia na velha conversa de quem tem medo de perder privilégios. Privatização é legal para o país!

Veja mais opiniões de nossos especialistas e convidados:

“Se de fato enveredar pelo rumo da desestatização, o Brasil desencadeará enorme potencial produtivo”. Leia “Brasil tem chance de ‘dia de sol perfeito’ na economia“, de Marcos Troyjo

“O fato singelo é o seguinte: mercados livres, perfeitamente funcionais – ainda que causando perdas para uns e outros –, sempre serão infinitamente mais eficientes do que qualquer comitê de salvação pública econômica, e isto por uma razão muito simples”. Leia “Imperfeições do mercado ou ‘perfeições’ dos governos?“, de Paulo Roberto de Almeida.

“Não há necessidade de empresas do Estado para executar atividades que seguramente serão desempenhadas por empreendedores privados, a partir do momento em que as demandas forem identificadas.” Leia “Por que é preciso privatizar as estatais?“, de Ubiratan Iorio.

“O modelo burocrático de gestão pública, desenhado na Constituição de 1988, produziu uma degradação progressiva da oferta de serviços públicos.” Leia “Nós que amamos tanto o Estado“, de Fernando Schuler.

“A ideologia estatizante da maioria dos brasileiros é um problema do ponto de vista do crescimento econômico, pois o Estado carece de recursos para fazer os investimentos de que o Brasil precisa”. Leia “Carmelitas, bondes e a privatização“, de Armando Castelar Pinheiro.

“O lucro é fundamental para o bom funcionamento da economia de mercado. Em primeiro lugar, o lucro é um indicador das preferências dos consumidores. Como ninguém é obrigado a comprar um determinado bem ou serviço, se os produtores dessa mercadoria estão auferindo bons lucros significa que eles estão produzindo algo que a população deseja adquirir, a um preço que os consumidores podem pagar”. Leia “Falta valorizar o lucro“, de Andre Franco Montoro Filho.

“É importante que tiremos algumas conclusões e aprendizados depois de tantos erros cometidos. Talvez o mais importante seja que os governos não devam participar com tanto peso na economia”. Leia “A falácia contra o livre-comércio“, de Sérvulo Dias.

“Um programa de privatização deve ter como motivação aspectos como: capacitação do setor privado, redução da dívida pública, retomada dos investimentos por parte das empresas privatizadas, modernização do parque industrial do país, concentração das atividades governamentais na provisão de bens e serviços tipicamente públicos, fortalecimento do mercado de capitais, aumento da eficiência microeconômica, redução do déficit público e estímulo à concorrência.” Leia “Privatizar é melhor saída para todos“, de Adriano Pires.

RELACIONADOS

Deixe um comentário