Na economia, o que mais afeta a imagem do país?

“O país não brilha mais no céu das finanças globais” é a frase que bem resume a reportagem de José Fucs publicada na revista “Época” desta semana. “O eclipse do Brasil” revela como a boa imagem do país vem se deteriorando aos olhos dos investidores internacionais.

Um dos motivos principais apontados pela publicação para o descontentamento internacional é o “desempenho sofrível” da economia brasileira nos últimos anos. O crescimento econômico, que não corresponde às estimativas do ministro da Fazenda Guido Mantega, está inferior à média internacional. Os baixos índices de crescimento são frutos de estímulos econômicos desnecessários, criados para combater a crise e usados pelo ex-presidente Lula com o objetivos eleitorais, afirma Rubens Ricupero, ex-ministro da Fazenda, à revista.

Entrevistamos o especialista do Millenium,  Arthur Barrionuevo, professor de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV) para falar sobre o fim da euforia global em torno do Brasil. Barrionuevo destacou a alta carga tributária e a forte intervenção do Estado na economia como dois fatores importantes para entender  o que está acontecendo na economia nacional:  “A carga tributária nacional, além de elevada para um país de renda média (sem contrapartida de serviços públicos adequados) é extremamente mal distribuída. Especialmente nocivos são os impostos e contribuições sobre exportações, investimentos e folha de pagamentos. Eles reduzem a competitividade do país, diminuem o crescimento da produtividade e distorcem a escolha da tecnologia de produção, ao encarecer o custo do trabalho”, afirma.

A “nocividade tributária” reduz artificialmente o crescimento do PIB e a rentabilidade dos investimentos, fazendo com que o Brasil se torne menos atrativo em comparação com outras economias emergentes, explica.

Sobre a forte intervenção estatal do governo brasileiro, o especialista lamenta o desrespeito às regras e o autoritarismo das medidas tomadas em setores de infraestrutura (energia, transportes, comunicações). “Os setores de infraestrutura tem retorno apenas no longo prazo (mais de 30 anos muitas vezes), de modo que, o voluntarismo, ao invés de uma regulação comedida, que proteja investidores e usuários, prejudica o desenvolvimento de setores essenciais para o crescimento econômico”, resume.

Veja a tabela dos fatores brasileiros que causam má repercussão internacional:

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