Múltiplos desafios do governo

Sabendo que o humor do eleitor se relaciona, sobretudo, ao estado da economia, o governo federal pisa no acelerador para apresentar um crescimento razoável no final do ano.

Para tanto, muitas providências foram tomadas, a saber: redução do IPI para automóveis; medidas de defesa comercial; aumento de recursos para o BNDES e uma redução dos juros cobrados pela instituição financeira, além da Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil.

Nos bastidores de Brasília, um crescimento de 3% é considerado um bom resultado. Até mesmo pelo fato de a incerteza no mundo trabalhar contra as boas expectativas do Brasil.

No entanto, alguns analistas avaliam que o país não conseguirá alcançar 3% de crescimento do PIB. Os indicadores do transporte aéreo, tanto de passageiros quanto de cargas, é ruim.

Talvez, julho de 2012 possa ser o pior em anos para o segmento. Não é à toa que uma das maiores empresas do setor, a Gol, demite funcionários e corta voos. Paradoxalmente, emprego e renda continuam exibindo bons resultados.

O rendimento dos trabalhadores atingiu, em abril, um nível superior em 6% ao do mesmo mês no ano passado. O desemprego continua baixo.

A falta de uma oposição política organizada e o bom ambiente ajudam muito o Planalto a se manter popular.

Além das questões econômicas, a agenda do governo nunca esteve tão preocupante. Politicamente, são muitos os desafios: a votação da medida provisória editada após o veto parcial ao Código Florestal aprovado pelo Congresso; a administração da CPMI de Carlinhos Cachoeira; o julgamento do mensalão do PT no Supremo Tribunal Federal (STF); a rediscussão do pacto federativo, que está presente tanto na discussão dos royalties do pré-sal quanto na renegociação das condições de pagamento da dívida dos estados.

Sem falar na montagem das alianças nas eleições municipais, que, como sempre, se revela complexa e trabalhosa.

No cenário de curto prazo, o que inquieta mais são os desdobramentos da CPMI do Cachoeira, onde as tensões entre aliados estão sendo exploradas pela oposição. É o caso da convocação dos governadores de Goiás (PSDB) e de Brasília (PT), da rejeição da convocação de Sérgio Cabral (PMDB) e do adiamento da convocação de Fernando Cavendish e Luiz Pagot.

Socialmente, existem alguns pontos de tensão que podem se agravar no segundo semestre, por conta dos novos dissídios salariais. Segundo levantamento do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), a greve das instituições federais de ensino já atingiu 46 universidades federais.

Até agora, a economia tem blindado Dilma Rousseff de maiores problemas. A falta de uma oposição política organizada e o bom ambiente ajudam muito o Planalto a se manter popular. Entretanto, a soma de desafios exige maior eficiência do governo.

Tanto para aquecer a economia quanto para negociar demandas políticas e sociais, além de fazer o PAC funcionar com mais rapidez. Porém, com as dúvidas que se estabelecem no horizonte econômico, a gestão das agendas social e política tende a ficar mais trabalhosa.

A sorte do governo é a existência de instrumentos que – adequadamente utilizados – devem favorecer o aquecimento da economia no segundo semestre e podem desarmar as minas explosivas no caminho o governo.

Fonte: Brasil Econômico, 19/06/2012

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