No ritmo atual, PIB per capita do Brasil igualará o dos EUA em 2180

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Se o Brasil mantiver o ritmo médio de crescimento das últimas três décadas (1980-2011), de 0,93% ao ano, PIB per capita do país – soma dos bens e serviços dividida pelo número de habitantes – só chegará ao patamar atual dos Estados Unidos no fim do século 22, mais especificamente, no ano 2180. O desempenho brasileiro, neste período, ficou abaixo da média da América Latina (1,25%), e só conseguiu superar o da Argentina, da Colômbia e da Venezuela (cuja economia encolheu). É o que aponta um estudo coordenado pelo economista Ronald Hillbrecht, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e financiado pelo Instituto Millenium.

A situação não muda muito se for levado em conta apenas o período 2000-2011, em que a expansão média da economia brasileira foi de 2,24%. Nesse caso, o Brasil permanece abaixo da média da América Latina, que foi de 2,30%, e é ultrapassado pela Colômbia (2,68%), ficando à frente apenas de Argentina (2,15%) e Venezuela (1,48%). A equiparação com os Estados Unidos viria 40 anos antes.

— O crescimento do país nos anos 2000 deixou as pessoas em geral com um sentimento positivo, mas o resto do mundo cresceu mais rapidamente. O Brasil está se movendo para frente, mas ficando para trás — afirma o pesquisador.

Hillbrecht argumenta que o fato de o país ser de grande porte deveria favorecer um crescimento mais rápido, devido à maior capacidade de incorporar mão de obra ociosa ao mercado.

— Era de se esperar que o país pudesse crescer a taxas semelhantes à da China, que neste período de 1980 a 2011 foi de 7,36%. Mas não estamos acumulando capital na forma de poupança doméstica nem estamos conseguindo atrair investimentos estrangeiros no nível necessário, porque o ambiente de negócios no país tem uma das piores avaliações do mundo, segundo os indicadores do Banco Mundial — analisa.

País tem um dos piores ambientes de negócios do mundo
Segundo dados do projeto “Doing Business” da instituição internacional, o Brasil está em 121º lugar, entre 185 países, no que se refere à facilidade para iniciar um novo negócio. A situação é pior nos indicadores que se referem a obtenção de licenças de construção (131º lugar) e pagamento de tributos (154º lugar). O principal problema do país, segundo o economista, é a falta de competitividade no mercado, ocasionada pelo que chama de “capitalismo de compadres”.

“Capitalismo de compadres é a organização econômica de uma sociedade onde o sucesso de empresas depende dos laços e proximidade com o governo. Estes laços proporcionam uma série de privilégios a estas empresas, como acesso a subsídios, incentivos fiscais e outras formas de transferências, facilidade de obter contratos vantajosos com o governo, proteção contra competição doméstica e estrangeira”, explica o pesquisador, no estudo.

— As entidades que representam o setor produtivo deveriam cobrar firmemente mudanças por parte do governo, mas o que vemos não é isso. Este sistema funciona como uma barreira à entrada de novas empresas nos mercados, dificultando o empreendedorismo e reduzindo inovação — afirmou Hillbrecht.

O pesquisador se diz otimista sobre mudanças no médio prazo, se houver uma ampla reforma dos “mecanismos de controle” dos negócios:

— A forma como o governo intervém pode ser boa ou ruim, dependendo do setor, mas o aparato regulatório do Brasil é ruim desde sempre. Para atrair os investimentos que precisamos, é necessário, por exemplo, que os investidores tenham uma taxa de retorno compatível com o nível do risco que estão assumindo. No caso das obras de infraestrutura, o governo fixa um retorno de 5,5%, em média, enquanto em países como a Inglaterra, esta chega a até 15%.

“É preciso uma agenda de reformas estruturais”
O estudo, que demorou três meses para ser concluído, ficou pronto em dezembro, antes da divulgação oficial dos dados do PIB do terceiro trimestre de 2012. Na sexta-feira, o IBGE anunciou que a expansão da economia, no ano passado, foi de 0,9%.

— Está muito claro que o resultado do PIB veio baixo, em grande parte, em função do modelo de crescimento baseado no consumo, que desde 2010 está estagnado — avalia o também economista Vitor Wilher, especialista do Instituto Millenium.

Segundo ele, medidas como a reformulação das concessões do setor elétrico e a MP dos Portos são mudanças pontuais que não resolvem os problemas:

— É preciso uma agenda de reformas estruturais, e 2013 é um ano chave. Não temos eleição, a situação tem maioria no Congresso, mas existe ainda dúvida se o governo vai propor as reformas tributária, trabalhista e judiciária. Até agora, elas foram evitadas por Lula e agora por Dilma, porque até a chegada da crise mundial, a economia estava crescendo bem.

Fonte: O Globo

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