Para a Petrobras, as boas notícias só virão em 2014

Adriano-Pires Instituto Millenium

Os anos de intervenção governamental na Petrobras mostraram seus efeitos na divulgação dos números referentes ao ano de 2012. A produção de petróleo caiu 2,3% e o lucro 36%, com a empresa chegando a registrar prejuízo no 2º trimestre.

Toda essa deterioração se deu num ambiente que seria o paraíso para qualquer empresa do setor: preço do petróleo alto, demanda crescente e quase monopólio do mercado.

Na última segunda-feira (4/2), a Petrobras reportou lucro líquido de R$ 21,2 bilhões em 2012, bem abaixo dos R$ 33,3 bilhões reportados em 2011. Esta foi a 4ª vez que o lucro da empresa apresentou queda no governo PT (2004, 2007 e 2009) e o pior resultado desde 2004.

Aliás, o ano de 2012 guarda semelhança com 2004, quando a produção de petróleo também apresentou queda (3,1%).

Salta aos olhos a piora no resultado operacional da empresa. O Ebitda da Petrobras em 2012 foi de R$ 53,4 bilhões, 14% abaixo do valor de 2011. O principal motivo para a piora do resultado foi a interferência do governo nos preços dos combustíveis, que se mantiveram fortemente defasados em relação ao mercado internacional.

Em 2012, a defasagem média da gasolina foi de 19,9% e do diesel de 24,6%. Num ambiente de forte crescimento da demanda, as importações de gasolina cresceram 73%, contribuindo para o prejuízo de R$ 34,2 bilhões da Área de Abastecimento.

Aumentos de custos, baixa de poços secos e baixa performance operacional, foram outros fatores para o frustrante resultado.

Toda essa deterioração se deu num ambiente que seria o paraíso para qualquer empresa do setor

O resultado de 2012 só não foi pior por conta de R$ 2,6 bilhões em receitas financeiras, oriundas de operações com títulos públicos e reconhecimento de juros depósitos judiciais.

Com a piora da geração de caixa e o efeito da desvalorização cambial sobre a dívida, a relação dívida líquida/Ebitda elevou-se para 2,77 (em 2011 a relação era de 1,66), fato que pode provocar um futuro rebaixamento da classificação de risco da empresa, o que dificultaria e encareceria o financiamento.

Esta questão torna-se ainda mais grave frente a necessidade de caixa para fazer face aos investimentos dos próximos anos.

Aparentemente, a empresa pretende elevar seu caixa e financiar seus investimentos à custa da diminuição do pagamento de dividendos aos acionistas. Pela primeira vez, o dividendo dos papéis ON (R$0,47) será muito menor do que o dos PN (R$0,96).

Para 2013, as perspectivas não são boas. Após o reajuste insuficiente concedido no final de janeiro, não há expectativa de novo reajuste em um cenário de inflação em elevação e proximidade do período eleitoral presidencial.

A manutenção da política de preços domésticos controlados e defasados se dará num contexto de aumento da demanda doméstica e elevação do preço do petróleo no mercado internacional.

A presidente da empresa procurou não dar falsas esperanças ao mercado ao declarar que 2013 será um ano difícil, com baixas de poços secos equivalentes as de 2012 e queda na produção, por conta da necessidade de manutenção das plataformas, o que reforça a ideia de que há um longo trabalho para consertar as falhas de gestão dos últimos 10 anos. Boas notícias, quem sabe, só em 2014.

Fonte: Brasil Econômico, 07/02/2013

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