Por um projeto nacional de Educação

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Na semana passada, os resultados do Ideb foram divulgados. Nenhuma surpresa na média geral de cada nível de escolaridade, apenas a constatação de que a melhora nos anos iniciais do ensino fundamental quase desaparece nos anos finais e a educação definitivamente não avança no ensino médio.

A crise do ensino médio

Falou-se, com razão, da crise do ensino médio, que patina com uma carga horária reduzida e um conjunto de 13 disciplinas, todas obrigatórias, sem a diferenciação de trajetórias que ocorre em países com educação melhor que a nossa. Parece que as disciplinas existem para atender pressões corporativistas, independentemente dos interesses dos estudantes ou do fato de que, em quatro horas de aula (menos que isso, se o curso for noturno), não é possível cobrir um currículo vasto, com algum nível de profundidade.

A situação se torna mais grave se pensarmos que boa parte dos alunos não vai cursar universidade. Um ensino propedêutico, dissociado da vida dos jovens e do mundo do trabalho, joga no mercado, a cada ano, mais de 75% dos egressos do ensino médio, sem o domínio de competências básicas para empregabilidade ou para perseguir seus interesses. Quanto aos que entram para a universidade, um outro problema: menos de 9% dos alunos do 3º ano dominam os conteúdos demandados em matemática na Prova Brasil. Em português, a situação não é muito diferente, embora ligeiramente melhor. Assim, quando o jovem começa um curso superior, apresenta defasagens expressivas.

Os desafios na formação de professores 

Há algo, porém, que passou despercebido: os problemas aparecem justamente na etapa de escolaridade em que entra o professor especialista. Nos anos iniciais, apesar de fragilidades na aprendizagem, a cada edição da Prova Brasil, o país avança. Nos anos finais, isso se interrompe. Será que estamos formando os futuros professores nas licenciaturas em português e matemática de forma ainda mais frágil que na pedagogia, dado o abandono do ensino de didáticas específicas e do desenvolvimento de competências necessárias ao exercício docente? Ou trata-se da baixa atratividade da carreira, dados os salários? Provavelmente, um pouco dos dois.

O que pode ser feito frente a este quadro? Avançar na construção da Base Comum Curricular, estabelecendo com clareza expectativas de aprendizagem e apoiando os professores com materiais e formação. Tornar a profissão mais atraente, para que mais jovens talentosos queiram estudar educação, num curso mais focado na prática do professor e do gestor. Não deixar salas de aula sem professores. Ampliar a jornada escolar. Isso poderia ser parte de um grande projeto nacional de educação, como fizeram no passado a Coreia ou a Finlândia. O Brasil merece!

Fonte: “Folha de S. Paulo”, 16 de setembro de 2016.

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