Terça-feira, 6 de dezembro de 2016
Mantenedores mantenedores

Por um projeto nacional de Educação

Na semana passada, os resultados do Ideb foram divulgados. Nenhuma surpresa na média geral de cada nível de escolaridade, apenas a constatação de que a melhora nos anos iniciais do ensino fundamental quase desaparece nos anos finais e a educação definitivamente não avança no ensino médio.

A crise do ensino médio

Falou-se, com razão, da crise do ensino médio, que patina com uma carga horária reduzida e um conjunto de 13 disciplinas, todas obrigatórias, sem a diferenciação de trajetórias que ocorre em países com educação melhor que a nossa. Parece que as disciplinas existem para atender pressões corporativistas, independentemente dos interesses dos estudantes ou do fato de que, em quatro horas de aula (menos que isso, se o curso for noturno), não é possível cobrir um currículo vasto, com algum nível de profundidade.

A situação se torna mais grave se pensarmos que boa parte dos alunos não vai cursar universidade. Um ensino propedêutico, dissociado da vida dos jovens e do mundo do trabalho, joga no mercado, a cada ano, mais de 75% dos egressos do ensino médio, sem o domínio de competências básicas para empregabilidade ou para perseguir seus interesses. Quanto aos que entram para a universidade, um outro problema: menos de 9% dos alunos do 3º ano dominam os conteúdos demandados em matemática na Prova Brasil. Em português, a situação não é muito diferente, embora ligeiramente melhor. Assim, quando o jovem começa um curso superior, apresenta defasagens expressivas.

Os desafios na formação de professores 

Há algo, porém, que passou despercebido: os problemas aparecem justamente na etapa de escolaridade em que entra o professor especialista. Nos anos iniciais, apesar de fragilidades na aprendizagem, a cada edição da Prova Brasil, o país avança. Nos anos finais, isso se interrompe. Será que estamos formando os futuros professores nas licenciaturas em português e matemática de forma ainda mais frágil que na pedagogia, dado o abandono do ensino de didáticas específicas e do desenvolvimento de competências necessárias ao exercício docente? Ou trata-se da baixa atratividade da carreira, dados os salários? Provavelmente, um pouco dos dois.

O que pode ser feito frente a este quadro? Avançar na construção da Base Comum Curricular, estabelecendo com clareza expectativas de aprendizagem e apoiando os professores com materiais e formação. Tornar a profissão mais atraente, para que mais jovens talentosos queiram estudar educação, num curso mais focado na prática do professor e do gestor. Não deixar salas de aula sem professores. Ampliar a jornada escolar. Isso poderia ser parte de um grande projeto nacional de educação, como fizeram no passado a Coreia ou a Finlândia. O Brasil merece!

Fonte: “Folha de S. Paulo”, 16 de setembro de 2016.

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