“Eles estão viajando com o nosso dinheiro”, diz Gil Castello Branco sobre viagens de governadores ao exterior

Levantamento realizado em 26 estados brasileiros e no Distrito Federal revela o excesso de viagens internacionais dos governadores. Desde as eleições de 2010, os representantes de 15 capitais passaram mais de 370 dias longe de seus gabinetes. O governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), é o campeão de viagens, com 75 dias fora do país, seguido por Antonio Anastasia (PSDB), de Minas Gerais, e Tarso Genro (PT), do Rio Grande do Sul, com 35 dias cada.

O fundador da Associação Contas Abertas e especialista do Instituto Millenium, Gil Castello Branco, criticou os gastos: “Fica parecendo que somos uma republiqueta, que precisamos a todo momento estar viajando para o exterior para aprimorar o país. A quantidade de viagens é assustadora.”

A quantidade de viagens é assustadora

A captação de divisas seria o principal motivo das viagens dos chefes dos executivos estaduais para países do exterior. Branco discorda do usual argumento. “Essa justificativa de que eles vão buscar recursos e abrir oportunidades para os empresários são absolutamente ridículas, sobretudo, porque vivemos em um mundo aproximado pela internet. A maior parte dessas viagens é mesmo para turismo, como no caso da viagem do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, para Paris.”

O especialista afirmou que o uso inadequado do dinheiro público já virou regra. “As autoridades brasileiras usufruem de mordomias quando usam o dinheiro público. No entanto, quando estão usando os recursos pessoas o comportamento é completamente diferente.”

A aprovação da Lei de Acesso à informação não garantiu o acesso aos gastos e ao tamanho das comitivas de cerca da metade dos estados pesquisados. Isso faz com que o desvio de dinheiro público seja comum nessas situações. Para Branco, cabe a opinião pública exigir a transparência dos gastos públicos. “A sociedade tem que passar a acompanhar isso, porque eles estão viajando com o nosso dinheiro.”

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