Quarta-feira, 7 de dezembro de 2016
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Marcelo Nakagawa: “É possível aprender muito com os seus concorrentes nos negócios”

*por Marcelo Nakagawa

Se pensa em empreender ou já está fazendo isso, deveria refletir sobre a sua visita às melhores escolas do mundo para o seu negócio. Poucos se lembram disso, mas elas são muito baratas ou, em alguns casos, até gratuitas. Se não sabem quais são, precisa conhecer algumas histórias.

Qual a primeira coisa que faria quando decidisse abrir um negócio e já soubesse qual? Robinson Shiba sabia a resposta. Antes de abrir seu primeiro China in Box ele visitou todos os restaurantes chineses que encontrou em São Paulo. Em cada um entendia quem eram os clientes, se pediam para viagem, o que gostavam e não gostavam da experiência de consumo, os produtos que mais vendiam e até classificava os locais que tinham os alimentos mais bem preparados e gostosos. Quando abriu sua primeira loja em 1992, Shiba já era um profissional do ramo de comida chinesa e sabia mais do que qualquer outro estabelecimento que comercializava yakisoba na cidade.

Junior Durski descobriu esta escola um pouco mais tarde. Enquanto trabalhava em uma madeireira em Rondônia, gostava de fazer churrasco para os amigos. Quando se mudou para Curitiba, lançou um restaurante que oferecia comida polonesa e ucraniana. Não tinha feito muita pesquisa e o restaurante só perdeu dinheiro. Em vez de parar, Durski resolveu praticamente dobrar a aposta, construindo um restaurante ao lado do primeiro, mas agora especializado em carnes, em especial, os hambúrgueres. Mas desta vez ele procurou as melhores escolas no mundo e passou um mês nos Estados Unidos visitando e comendo hambúrgueres. Foram mais de 70 visitas e em todas elas fazia suas anotações para criar o que chamou de “o melhor hambúrguer do mundo”. Parece que deu certo, já que a rede Madero não para de crescer, inclusive se expandindo para Austrália e até os Estados Unidos.

Mas ninguém aprendeu tanto com a concorrência quanto Sam Walton, fundador do Walmart. Ainda em 1945, quando abriu uma loja franqueada da rede Ben Franklin que vendia bugigangas, fazia questão de visitar a loja concorrente que ficava do outro lado da rua todos os dias de manhã, antes de abrir o seu estabelecimento. Olhava o que o concorrente estava expondo, quais eram os preços e ofertas. Anotava tudo e depois rumava para a sua loja. Na década de 1980, já então a pessoa mais rica do mundo, Sam Walton foi preso por seguranças do Carrefour na cidade do Rio de Janeiro enquanto media as dimensões de uma prateleira da loja da rede francesa.

É obvio, mas é possível aprender muito com seus concorrentes ou mesmo empresas que atuam no mesmo ramo em outras regiões ou países. Muitos empreendedores reconhecem que estão em verdadeiras escolas quando visitam seus concorrentes já que é possível ter ideias para o seu negócio, entender o que está dando certo e errado, a experiência de consumo, a política de preços e até identificar quem dos funcionários oferece o melhor atendimento. Se pensa assim, crie uma rotina para visitar os concorrentes, inclusive empresas similares em outras regiões ou países, configure os sites dos concorrentes como a tela “home” do seu navegador de internet, acompanhe-os nas redes sociais, use os recursos de alerta do Google para ser avisado(a) assim que algum novo conteúdo online mencioná-los e até avalie periodicamente sobre o que os clientes dos seus concorrentes estão denunciando no “Reclame Aqui”.

Se por um lado há um número crescente de empreendedores cientes que sua concorrência é uma das melhores escolas de negócio que pode frequentar, há, infelizmente, um número maior ainda de empreendedores que, por algum motivo, se recusam visitar seus concorrentes. Estes são escolas para os demais.

Fonte: “Estadão PME”.

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