Yvonne Maggie comenta participação de cotistas no Sisu

Cerca de 40% dos estudantes inscritos nessa edição do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) optaram por concorrer a uma das 129.319 vagas através do sistema de cotas. Do total de 1.949.958 de candidatos no processo seletivo, 864.830 se identificaram como cotistas, por terem cursado o ensino médio na rede pública de ensino. O desempenho dos candidatos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é único critério de seleção do Sisu, sistema adotado em 101 instituições federais. A primeira chamada aconteceu segunda-feira, 14 de janeiro.

Segundo, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, o número de cotistas esta abaixo do peso relativo à rede de ensino, já que 88% dos concluintes do ensino médio estão matriculados na rede pública e apenas 12% são de instituições particulares. Ainda de acordo com Mercadante, a nota de corte dos cotistas e não cotistas ficou muito próxima. Em medicina, por exemplo, a menor nota de aprovação geral foi de 787,56 pontos. Entre os cotistas, a nota foi de 761,67 pontos.

A professora titular do Departamento de Antropologia Cultural do IFCS/UFRJ, Yvonne Maggie, explica que, em princípio, a proximidade dos desempenhos dos alunos cotistas e não cotistas traz a própria necessidade das cotas para o centro do debate. Mas adverte que a interpretação desses números é muito abstrata. “O que não sabemos ainda é o significado dessa diferença de pontos. Quantas pessoas estão entre os que tiveram a nota 787,56 e 761,67 em medicina, por exemplo? O que significam esses pontos a menos em termos de conhecimento e proficiência?”, questiona.

Para Maggie, o principal problema das cotas é a sua relação com o racismo. “A questão fundamental é que instituindo cotas ‘raciais’ o Brasil criou um novo estatuto jurídico, modificando a constituição e dividindo o povo em ‘raças’, obrigando o cidadão a se definir racialmente para ter algum direito”, conclui.

A professora diz que dois fatores explicam o aumento do número de alunos cotistas no Sisu: a melhoria do fluxo de estudantes no ensino médio, devido à política de combate a repetência, e o esforço das famílias brasileiras para manter seus filhos estudando.

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4 comments

  1. fabio nogueira

    Quando do julgamento da constitucionalidade da cotas,não levou em consideração o critério raça e sim as desigualdade entre negros e brancos no país. Raça não existe há séculos,todos sabemos disso,porém,parecem que descobriram a pólvora ou a solução para o século.

    Claro que existe brancos pobres,mas,os números e se todos observarem bem,notará a grande massa de negros jogados na miséria desse país. As cotas não será motivo de divisão,vivemos nela há muito tempo em todos os sentidos.Contudo quando a palavra Negro aparece logo surgem aqueles que dizem que somos racistas por deferem as cotas.

    O Estado nacional é o maior culpado por isso e é de seu dever indenizar seja de que forma essas minorias.

    Professora Yvonne Maggie,uma pergunta: o Estado pergunta nossa cor ou etnia,e somos obrigado a responder? Na minha opinião a senhora está manipulando o debate como sempre. Sempre digo que sou negro,sem nenhuma pressão e é assim que deve ser.
    Estamos perdendo com um debate tão infantil.

  2. fabio nogueira

    Vou repetir: Onde está o meu comentário que deixe há quatro dias? Toda vez que faço um comentário da professora e essa demora. É algum tipo de censura? Quero minha opinião sendo postado no site.

  3. Comunicação Millenium

    Comunicação Millenium

    Caro sr. Fabio Nogueira,

    o seu comentário está na fila de espera, junto com outros comentários para serem aprovados, ou não, caso seja apropriado, não contenha insultos ou algo do gênero.
    Tenha a gentileza de aguardar a sua hora.

    Atenciosamente,
    Comunicação Imil

  4. fabio nogueira

    Obrigado!! Faço isso,pois tive alguns comentários meus censurados,sim,nesse mesmo site.

    Mesmo assim,sou muito agradecido por terem respondidos.