Startups: o investimento que é de alto risco, mas que vale a pena

Apostar em startups inovadoras tem se mostrado um bom negócio para aceleradoras e incubadoras

Fomentar empresas que têm 90% de chances de falir não parece um bom negócio para a maioria dos investidores. A exceção fica por conta dos donos de aceleradoras, empresas cujo nicho de atuação é exatamente este: se unir a startups, companhias jovens, de alto risco e com base tecnológica, para oferecer suporte financeiro e técnico em troca de participação em ações. O que os motiva é o retorno lucrativo caso o empreendimento consiga “encontrar” um mercado, afirma Ricardo Salazar, fundador da startup eStoks:

— A possibilidade de uma startup conseguir sobreviver no mercado é pequena, pois é uma empresa cuja característica principal é a inovação, buscar um novo modelo de negócio que não existia antes. Se ela obtiver sucesso, o retorno é alto. Mas sem a atuação de aceleradoras, o objetivo se torna muito mais difícil.

Startup Brasil seleciona 50

E não são apenas as aceleradoras e os donos das empresas que se beneficiam com o sucesso. Os ganhos tecnológicos podem contribuir para o desenvolvimento da economia de todo o país ao oferecer soluções inovadoras para antigos problemas. Foi com este pensamento que o programa Startup Brasil, parceria do Ministério da Ciência e Tecnologia com 12 aceleradoras privadas, foi criado, diz Felipe Matos, coordenador da iniciativa:

— Existem setores dentro do país cuja atuação da tecnologia é fundamental, como em logística, onde boas soluções podem dinamizar processos, levando, inclusive, a uma redução do custo Brasil.

Com inscrições abertas até o próximo dia 24, ao menos 50 iniciativas serão selecionadas para receber bolsas de R$ 20 mil a R$ 200 mil reais. Um dos objetivos é fazer a ponte com as aceleradoras parceiras. Atualmente, são pelo menos 50 e entre seis e dez mil startups atuantes, segundo Matos. Sócio-fundador da 21212, a mais antiga aceleradora do país, Frederico Lacerda é um dos parceiros do programa:

— Elaboramos um plano personalizado para cada caso. São cerca de 12 iniciativas que abraçamos anualmente. A gente vira sócio da empresa e lucramos como qualquer outro acionista, mas oferecendo serviços de suporte. Já trabalhamos com 39 companhias, e nossa taxa de sucesso é melhor do esperávamos, com 20 empresas ainda com a gente.

Com dez anos de experiência na construção civil de Recife, Salazar, da eStocks, procurou ajuda na aceleradora depois de identificar um nicho no seu mercado: a gestão das sobras de construções, que vão desde equipamentos pequenos, até sucata e material descartado. Junto com os sócios Artur e Isabel, hoje a empresa já cresce 150%:

— Somos os únicos trabalhando com isso no Brasil. É exatamente a possibilidade de encontrar um nicho quase que particular, sem competição, que atrai tanto o investimento nas startups. Além disso, nós contribuímos para com a sociedade, ao evitarmos o desperdício desse material, revendendo as sobras para outras companhias, por exemplo.

Uma outra forma de fomentar startups é através das mais de 400 incubadoras espalhadas pelo país. A iniciativa, muito ligada à instituições públicas, segundo Matos, oferece ajuda na gestão administrativa das empresas, mas sem envolvimento financeiro, diferentemente do que acontece com as aceleradoras privadas.

O papel das universidades

Transformar a tecnologia desenvolvida nas universidades em produtos para a sociedade é um dos desafios que as incubadoras ajudam a solucionar, acrescenta Manlio Mano, fundador da startup Oil Finder, que já trabalhou para empresas como Petrobras e Repsol:

— Nós conseguimos encontrar petróleo através de satélites. É uma tecnologia desenvolvida na Coppe que tem potencial internacional. Mas jamais teria conseguido sem a incubadora, que me colocou em contato com empresas que estavam dispostas a comprar meu produto, além de ajudar na gestão do negócio.

A incubadora da Coppe trabalha com 26 Startups em seu parque tecnológico, que reúne ainda sete grandes empresas.

Fonte: O Globo

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